Como sabem, na Venezuela encontra-se a decorrer uma tentativa para remover o presidente Maduro por intermédio de um golpe militar instigado por Trump, Bolsonaro, Macri e Almagro.

Quis relatar a situação na Venezuela na véspera das manifestações da oposição amanhã, 23 de Janeiro:

Como escrevi anteriormente, no passado dia 10 de Janeiro a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, recusou reconhecer Maduro como presidente apodando-o de “usurpador” e afirmou ser o único poder legítimo no país – estão assim a sugerir que o presidente da AN, Juan Guaidó, se torne no presidente interino do país, este apelou ao Exército que reconhecesse os seus poderes e rompesse com Maduro, que foi democraticamente eleito.

Os EUA têm falado abertamente sobre uma “transição para a democracia” e a AN aprovou uma “lei” estipulando que quaisquer oficiais do Exército que rompam laços com o “ditador” serão alvo de uma plena amnistia. 

O Supremo Tribunal declarou estas decisões da AN como nulas e vazias.

Ontem, 21 de Janeiro, durante a manhã houve um motim por parte de um certo número de oficiais da Guarda Nacional, posteriormente desarmados e detidos. Pode tratar-se apenas de um incidente isolado ou de um reflexo de uma manifestação mais ampla de descontentamento no seio das Forças Armadas. Note-se que os amotinados eram essencialmente oficiais de baixo escalão e da Guarda Nacional, não do principal corpo do Exército.

No final do dia houve protestos e queima de barricadas contra o governo em vários locais em Caracas, foram essencialmente diminutos, mas significativamente concentrados em comunidades de classe trabalhadora que são bastiões tradicionais do chavismo.

Se tal significar que a oposição reaccionária está a começar a ligar-se ao genuíno descontentamento das comunidades da classe operária quanto aos cortes de água, à hiperinflação, os baixos ordenados, etc., será um ponto de viragem. Este caso permanece ainda por se verificar.

A oposição pediu manifestações para amanhã, 23 de Janeiro, no aniversário da queda da ditadura de Perez Jiménez em 1958. Estão a concentrar todas as suas forças neste apelo.

Mike Pence (vice-presidente dos EUA) emitiu hoje um comunicado afirmando que os EUA estão ao lado dos venezuelanos que se encontram “a combater amanhã pela democracia” e que irão estar ao seu lado “até à plena restauração da democracia” – tal, na minha opinião, deve ser interpretado como um apelo a que amanhã ocorra um golpe militar.

A líder da facção mais extrema da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou que “se Maduro quiser preservar a vida tem que reconhecer que o seu tempo já terminou”. 

Como tal a situação é bastante séria. Está à vista que Washington e a oposição reaccionária vislumbram agora uma janela de oportunidade e estão preparados para partir para a ofensiva até conseguirem atingir o seu principal objectivo: o afastamento de Maduro por todos os meios.

A situação económica deteriorou-se desde a última tentativa em 2017 e há também o peso de uma série de promessas não cumpridas por parte do governo para sanar a situação económica. 

O nosso posicionamento mantém-se o mesmo: não apoiamos o governo de Maduro, cujas políticas estão a minar os ganhos da revolução. Opomos-nos por todos os meios à nossa disposição ao golpe reacionário Trump – Bolsonaro – Almagro.

Alguns já afirmaram inclusivamente que não importa quem ganhe uma vez que as condições de vida dos trabalhadores e dos agricultores já são extremamente más. Iludem-se. Se Washington levar a sua avante será um desastre ainda maior para os trabalhadores da Venezuela, mesmo ignorando o impacto político que tal teria na região e além desta.

Os marxistas, os activistas dos movimentos trabalhistas e todos os democratas consistentes têm o dever de rejeitar a tentativa de golpe em andamento e defender o direito do povo da Venezuela a decidir o seu próprio futuro fora do âmbito da intrusão imperialista.

Tirem as mãos da Venezuela!

Jorge Martín

Tradução: Flávio Gonçalves

1 comentário:

Propósito

– Apoiar a Revolução Bolivariana, a qual tem provado incessantemente a sua natureza democrática, na luta para libertar os oprimidos da Venezuela.

– Defender a Revolução contra os ataques do imperialismo e dos seus agentes locais, a oligarquia venezuelana.

– Rebater as distorções e as mentiras da comunicação social acerca da Venezuela e mobilizar o máximo de apoio possível na defesa destes pontos.

Evento:

Assine a petição:

Seguir por e-mail

Hands Off Venezuela

Arquivo

Com tecnologia do Blogger.