Alguns dos eventos que ocorreram ontem:

- As Forças Armadas venezuelanas já assumiram clara e inequivocamente que apoiam o presidente Maduro e rejeitam Guaidó e qualquer tipo de intervenção estrangeira. Houve uma declaração televisiva por parte do ministro da Defesa, o general Padrino, rodeado de todo o alto comando das FANB. Tal foi precedido por declarações televisionadas de todas as regiões militares da Venezuela. Por agora, o Exército está do lado do governo eleito.

- A 23 de Janeiro, Maduro ordenou a expulsão dos diplomatas dos EUA no prazo de 72h. Guaidó afirmou estar a ordenar que todas as embaixadas permanecessem. Os EUA afirmaram que não iriam embora uma vez que tal não tinha sido ordenado pelo presidente por eles reconhecido. Ontem decidiram retirar todos os funcionários não-diplomáticos. A Venezuela ordenou aos seus diplomatas que abandonassem os EUA. Gauidó apelou-lhes a que ficassem e que o reconhecessem.

- Na reunião da Organização dos Estados Americanos os EUA não obtiveram a maioria necessária para fazer aprovar uma resolução contra a Venezuela, foi então assinado um comunicado por 17 nações sem qualquer vinculo legal e o “embaixador” nomeado por Guaidó não foi reconhecido.

- O próximo estágio da provocação: Guaidó pediu oficialmente auxílio humanitário aos EUA. Na cimeira da OEA, Mike Pompeo prometeu 20 milhões de dólares. Trata-se de uma tentativa para provocar um conflito militar. Se quaisquer forças dos EUA (“humanitárias” ou outras) entrarem no território da Venezuela, tal seria considerado uma invasão.

- Os EUA afirmaram estar à procura de um modo para cortar os dividendos do petróleo que financiam o governo venezuelano e redirecioná-los para Guaidó, são bem capazes de o fazer e tal afectaria gravemente a economia e o financiamento do governo.

- Um artigo da Reuters avançou pormenores de um frenesim de telefonemas por parte dos EUA e de Almagro aos países latino-americanos ANTES de Guaidó se auto-proclamar presidente com o intuito de assegurar o seu apoio para com ele. Como sabemos, o golpe foi criado pelos EUA.

- Está à vista que os falcões da administração dos EUA são os responsáveis e estão determinados em implementar uma mudança de regime na Venezuela a curto prazo por todos os meios possíveis.

- Hunt, o secretário dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, falou publicamente nos EUA dando total apoio ao golpe e conseguiu errar em dois factos essenciais: afirmou que “as urnas eleitorais já estavam cheias”, quando na realidade não existem urnas na Venezuela, o voto é electrónico, e que “a oposição foi proibida” de concorrer nas eleições presidenciais, quando na realidade o líder oposicionista Falcón concorreu nas mesmas.

- Durante a noite ocorreram bastantes incidentes violentos em Caracas e noutras cidades, tal como na noite anterior. As principais características destes incidentes: tratam-se de pequenos grupos armados (criminosos, lumpen, pagos e armados por sectores da oposição) que atacam instalações da Guarda Nacional, tiroteios e utilização de granadas de mão em zonas da classe trabalhadora essencialmente chavista. É um método diferente até das violentas barricadas de 2017. Nessa altura, tratou-se essencialmente de jovens de classe média e alta (embora também tenham estado envolvidos elementos criminosos), amotinaram-se principalmente nas suas próprias áreas e contaram com algum apoio da população local.

- Existem relatos confusos de um activista revolucionário abatido e queimado até à morte em Mérida.

- Recebi o relato visual de um camarada que testemunhou um assalto armado a um edifício do governo no Amazonas no dia 23 de Janeiro, levado a cabo por elementos da oposição em conjunto com forças paramilitares (da Colômbia?) – no mesmo dia e noutras partes do país houve ataques de fogo posto contra sedes do PSUV e edifícios governamentais.

- Uma observação: na Venezuela existem organizações revolucionárias e organizações ligadas ao PSUV, tanto nas cidades como no interior, armadas e dispostas a defender o governo legítimo em caso de um golpe de Estado ou de qualquer tipo de intervenção estrangeira.

- Tanto a Rússia como a China já emitiram comunicados bem fortes contra uma intervenção estrangeira na Venezuela e dando o seu apoio ao governo em funções. Ambos possuem interesses, investimentos e contratos consideráveis na Venezuela que desejam defender. Este conflito tem também um ângulo geopolítico.

- O silêncio da parte de Corbyn-MdDonnell é desapontante, a comunicação social já os está a atacar por apoiarem Chávez-Maduro, deviam vir a público e afirmar os factos mais básicos: trata-se de um golpe apoiado por Trump, Guaidó não tem qualquer legitimidade, o povo da Venezuela deve estar livre de qualquer interferência externa para decidir o seu futuro, o Banco de Inglaterra deve devolver o ouro venezuelano que está a reter, Jeremy Hunt é um… bem, essa parte devem deixar de fora.

- Guaidó já afirmou que iria dar às empresas petrolíferas “facilidades fiscais e contratuais”, basicamente revogando as leis de Chávez que limitaram o papel das empresas estrangeiras na indústria petrolífera, claramente uma das razões do golpe é permitir que as multinacionais dos EUA controlem o petróleo da Venezuela.

Jorge Martín


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Propósito

– Apoiar a Revolução Bolivariana, a qual tem provado incessantemente a sua natureza democrática, na luta para libertar os oprimidos da Venezuela.

– Defender a Revolução contra os ataques do imperialismo e dos seus agentes locais, a oligarquia venezuelana.

– Rebater as distorções e as mentiras da comunicação social acerca da Venezuela e mobilizar o máximo de apoio possível na defesa destes pontos.

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