Passado mais de ano e meio desde os protestos de rua espoletados a 12 de Fevereiro de 2014 na Venezuela, o seu principal organizador e instigador, Leopoldo López (apodado de “estrela rock da oposição” pela comunicação social das correntes dominantes), foi condenado a 13 anos e nove meses de prisão. O protesto organizado por este causou as mortes de mais de quarenta pessoas, entre manifestantes e membros das autoridades venezuelanas, e afastou grande parte da simpatia que anteriormente recolhia da restante oposição, salvo pequenas manifestações organizadas pela sua esposa e a campanha internacional sedeada nos EUA e liderada por um activista do Partido Republicano que trabalhara anteriormente na campanha de Mitt Romney em 2004 (Leonardo Alcivar) o apoio tem sido extremamente discreto, ou até mesmo envergonhado, uma vez que a oposição dita “democrática” não quer conspurcar a sua imagem com as acusações de “fogo posto, incitamento à violência e à desordem pública, conspiração e associação criminosa” que assombram agora o nome de López.

Com a sua condenação tornada pública no passado dia 11 colocou-se em marcha nova campanha de marketing internacional, a qual tenta pintar este criminoso condenado e golpista falhado como sendo um mero mártir democrático. Tentando capitalizar a prisão do líder o seu partido, Vontade Popular, tentou apelar a nova mobilização para “reescrever a Constituição e reorganizar o governo” (uma tentativa de golpe, subentendido) mas a restante oposição, de acordo com a revista “Foreign Policy” de 27 de Julho, apelou à “responsabilidade e à maturidade” e pelo fim “da anarquia e das barricadas”.

A investigação publicada em Julho pela “Foreign Policy” deita também por terra as afirmações constantes de Leopoldo López de que não teria estado envolvido, ou sequer apoiado, o golpe de Estado que afastou Hugo Chávez do poder durante meras 46 horas em 2002 e causou duas dezenas de mortes. O golpe falhado de 2002 é ainda uma ferida aberta da qual a esmagadora maioria da oposição se tenta distanciar. Preparemo-nos para nas próximas semanas e meses, a reboque da crise na fronteira com a Colômbia, para assistirmos à apresentação deste golpista falhado que já causou dezenas de mortes como a do mais impoluto mártir democrático, com comparações a Gandhi à mistura, já ressoa a maquinaria da propaganda imperialista.

Flávio Gonçalves

Foto de Leopoldo López © teleSUR
Pode ser utilizada desde que atribuídos os devidos créditos

Publicado originalmente no semanário O Diabo, 15/09/2015

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Propósito

1 – Apoiar a Revolução Bolivariana, a qual tem provado repetidamente a sua natureza democrática, na luta para libertar os oprimidos da Venezuela.

2 – Defender a Revolução contra os ataques do imperialismo e dos seus agentes locais, a oligarquia venezuelana.

3 – Apoiar a nova confederação sindical, UNT, como sendo a legítima voz do movimento trabalhista.

4 – Rebater as distorções e as mentiras da comunicação social acerca da Venezuela e mobilizar o máximo de apoio possível na defesa destes pontos.

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