As possantes novas redes de televisão sediadas na América do Sul, na Rússia, na China e no Irão encontram-se trancafiadas naquilo que só pode ser descrito como uma batalha épica contra as redes omnipresentes da propaganda e da doutrinação ocidentais.

Os seus programas podem ser vistos em todo o globo e têm alterado dramaticamente as vidas de milhões de pessoas em África, na América Latina e no Médio Oriente, até mesmo em locais fulcrais do próprio Império, tais como Nova Iorque e Londres. As mentiras da demagogia colonialista e imperialista são meticulosamente desafiadas. Aqueles que outrora não tinham qualquer voz conseguem agora fazer-se ouvir claramente.

É uma batalha excitante, verdadeiramente bela, e aqueles de nós que se encontram na linha da frente ao fazer filmes, escrevendo ou falando nas frequências das redes anti-imperialistas estamos determinados a dar o nosso melhor e, se necessário, até a arriscar as nossas vidas!

Alguns de nós estiveram muito próximos da morte, nos piores bairros de lata de África, da Ásia e da América Latina ou nos campos de batalha, nos cantos do mundo onde ninguém se atreve a ir. Confrontámos o Império. Alguns foram mais longe, cruzaram a linha invisível e caíram; não regressaram. Outros conseguiram voltar, só para que aqueles que nunca saíram do sofá lhes cuspissem em cima, por não terem ido “até ao fim”, por terem sobrevivido, por de algum modo terem conseguido não morrer.

Porque escrevo isto?

Porque já muito foi feito, muito foi sacrificado! Acabei de deixar a América do Sul, saí do meu adorado continente, um continente pelo qual me bato, cujas revoluções também são minhas. E embora, desta vez, tenha trabalhado arduamente no Equador, no Brasil, no Paraguai e, brevemente, na Argentina e no México, apercebi-me de que aqui, de todos os lugares, nós – a nossa comunicação social – ainda não estamos a conseguir influenciar o povo tanto quando esperávamos.

Às pessoas normais chega muito pouco da RT, da PressTV, da CCTV e até da teleSUR.

A distribuição dos conteúdos por cabo e satélite está quase toda nas mãos da “oposição” de direita.

Até no Equador de Correa, mal tropecei nesses canais! A cobertura noticiosa em língua inglesa está ao abandono, entregue à CNN e à FOX! Assim foi em todos os hotéis onde fiquei. Sem surpresa, a situação no Paraguai foi igual e, também, chocantemente, no Brasil, um dos principais países dos BRICS.

A Globo de direita está literalmente em todo o lado e a televisão e as estações de rádio de esquerda são escassas e raras. A cobertura em língua inglesa resume-se à CNN e à FOX, onde quer que ficasse: São Paulo, Manaus, Belém, Recife, Fortaleza e Salvador da Bahia. Os maiores hotéis onde fiquei não tinham teleSUR, nem RT!

Para piorar ainda mais as coisas, os gerentes dos hotéis com quem falei não faziam sequer a mínima ideia do que eu estava a falar. RT? CCTV? PressTV? Tive que soletrar, anotar os nomes e explicar-lhes o que são.

Quando me encontrava em trânsito no Aeroporto Jorge Chávez, em Lima, a CNN en Español radiava de apoio às greves de fome da “oposição” venezuelana.

Fui até ao fim – chamei os principais responsáveis do aeroporto e acusei-os de estarem a cometer um acto de hostilidade contra a Venezuela ao promoverem tentativas patrocinadas pelos EUA com o intuito de derrubar um governo democraticamente eleito num país sul-americano. Consegui assustá-los. Desculparam-se (embora tenha ficado com a sensação de que estavam completamente confusos; não sabiam do que estava a falar). Mudaram imediatamente o canal – para a FOX Sport!

Tivemos uma conversa breve acerca da RT (também não faziam ideia do que era), acerca da CCTV (câmeras de circuito fechado?) e da PressTV (“Press” soou-lhes familiar). Exigi que passassem a teleSUR em todos os ecrãs das áreas públicas. Responderam que teriam todo o gosto em o fazer, mas que esta não está incluída no seu pacote básico de televisão por cabo! Um perguntou-me se o canal era da Patagónia?

Claro que estamos todos cientes do que se está a passar. Já o ouvimos milhares de vezes e já escrevemos repetidamente acerca disto: as revoluções da América Latina estão a ser minadas pelas “elites” e pela sua comunicação social de direita, tóxica e pró-ocidental. Isto tem vindo a acontecer na Venezuela desde o início e ainda no Equador, na Bolívia, no Brasil, no Chile e na Argentina.

O resultado é que as pessoas dos nossos países revolucionários desconhecem quase tudo acerca dos nossos aliados, incluindo a Rússia, a China, o resto da América do Sul e o Irão. O que conhecem é exactamente essa propaganda, disseminada pela comunicação ocidental em todo o mundo. Praticamente todos os jornais locais se fiam na EFE, na Reuters, AFP, AP e outros produtores da narrativa do “excepcionalismo” ocidental.

Não se ouve praticamente a voz dos BRICS em toda a América Latina. É extremamente alarmante!

E mesmo quando a informação consegue furar o bloqueio, seja na Internet, através dos blogues da RT e da teleSUR, essas páginas não são coordenadas de modo eficaz, resultando em que: comentadores troll bem organizados e bem pagos infestam-nos à grande.

Precisamos que o nosso povo ouça falar da China através dos chineses, não por intermédio da comunicação social propagandista ocidental. Precisamos que os russos se expliquem, agora que se batem arduamente com a investida do imperialismo ocidental. Precisamos que o Irão informe os nossos telespectadores acerca do Médio Oriente e do Islão e precisamos que os sul-africanos nos informem do gigantesco derrame de sangue que ocorre por todo o continente africano, sob as temíveis botas dos neo-colonialistas ocidentais!

Em vez disso, temos novamente o Ocidente a dizer-nos o que pensar acerca do mundo! Mesmo entre a esquerda: os intelectuais latino-americanos ainda confiam mais nalgumas personagens defuntas de pseudo-esquerda da Espanha ou dos Estados Unidos do que nos seus camaradas chineses, russos, iranianos ou africanos! Cuba é, muito provavelmente, a única excepção.

Precisamos que os nossos aliados se façam ouvir! Não aqueles que nos querem dividir e governar, não aqueles que colonizaram e arrebataram o planeta todo durante séculos. Não aqueles que abandonaram as batalhas sem na realidade terem sequer lutado.

A teleSUR está a efectuar um trabalho imenso, explicando a América Latina ao mundo e emitindo, onde quer que possa, para as pessoas de toda a América Latina.

Mas é necessário fazer muito mais! Há que promover esta grande e fraternal comunicação social. É gigantesca; é divertida e de alta qualidade. A RT já eclipsa alguns canais de propaganda ocidental como a BBC e a CNN mesmo nalgumas das maiores cidades do Império. A PressTV está a conseguir competir com a al-Jazeera endinheirada-do-Golfo. A CCTV tem mais telespectadores do que a NHK japonesa.

Se consigo ver a teleSUR no Líbano, porque não no Brasil!

El Mercurio aliou-se com o Comercio e outros do mesmo género. Se El Mercurio o pode fazer, porque não a teleSUR, a RT, a PressTV e outras?

Protestemos, exijamos! Se uma pessoa perguntar todos os dias no aeroporto de Quito pela teleSUR, não lhe darão ouvidos. Mas se dez o exigirem, terão que aquiescer.

O mesmo vale para os hotéis! Todos aqueles que estão a ler este ensaio: gente, sempre que ficarem num hotel da América Latina que não disponha da teleSUR no seu “menu”, que não “passe” a RT, a PressTV ou a CCTV, sejam uma peste; exijam! Queixem-se, queixem-se e queixem-se!

De outro modo nunca iremos ganhar esta batalha, este combate ideológico.

De outro modo, nunca nada irá mudar! Teremos governos progressistas, é verdade (pelo menos durante algum tempo) mas as pessoas continuaram a ser vítimas da lavagem-cerebral da propaganda imperialista ocidental (também apodada de “educação”)! Será dito aos latino-americanos como devem perceber o seu próprio continente. Os ocidentais continuarão a dizer aos chineses como devem avaliar o seu próprio país. O mundo ouvirá mentiras acerca da Rússia e cada vez mais russos irão começar a acreditar nessas mentiras.

Ajude a nossa comunicação social a competir! Deixe que contemos as nossas histórias. Não precisamos que alguém em Londres ou em Nova Iorque defina quem somos!

Os nossos canais de televisão actualmente são muito melhores do que aqueles produzidos no Ocidente. Aqueles que os vêem; aqueles que têm a oportunidade de os ver, adoram-nos! O único obstáculo é esse “défice” ridículo criado pelas “elites” por intermédio da distribuição.

Exijam! “Ou começam a passar a teleSUR ou rais’parta a vossa empresa de cabo!” Ou: “Deem-nos a RT ou deixamos de pagar o vosso serviço por satélite, Compadres!”

E continuaremos a arriscar as nossas vidas, trabalhando de dia e de noite, com o intuito de lhe dar o nosso melhor, caros telespectadores. Mas por favor, por favor vejam-nos! Insista para que as nossas vozes, não só as do Império, sejam realmente ouvidas no nosso seio, “em casa” e em todo o mundo!

Andre Vltchek

Este texto foi originalmente publicado pela teleSUR neste endereço.  Caso tencione fazer uso do mesmo, por favor cite a fonte e inclua uma ligação para o artigo original.

Nota da Redacção do TAMDV: em Portugal a teleSUR encontra-se disponível na oferta da Cabovisão e a RT na oferta da MEO e da ZON.

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Propósito

1 – Apoiar a Revolução Bolivariana, a qual tem provado repetidamente a sua natureza democrática, na luta para libertar os oprimidos da Venezuela.

2 – Defender a Revolução contra os ataques do imperialismo e dos seus agentes locais, a oligarquia venezuelana.

3 – Apoiar a nova confederação sindical, UNT, como sendo a legítima voz do movimento trabalhista.

4 – Rebater as distorções e as mentiras da comunicação social acerca da Venezuela e mobilizar o máximo de apoio possível na defesa destes pontos.

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