Os sentimentos revolucionários das canções de Alí Primera são hoje a inspiração da juventude venezuelana, geração que crê fielmente na integração e na igualdade social.

"Paraguaná, Paraguaná"; "José Leonardo"; "Techos de Cartón"; "Canção Mansa para um Povo Bravo" (Canción Mansa para un Pueblo Bravo); "Não basta Rezar" (No Basta Rezar); "Coquivacoa" são alguns dos temas musicais da autoria de Alí Primera, que tocaram muito e ainda continuam presentes em quem viveu aqueles anos de repressão, mas também as novas gerações têm tomado o seu canto como bandeira para lutar pela democracia participativa e protagonista que hoje reina na Venezuela.

O 16 de fevereiro de 1985 apaga-se a voz do coreano (habitante de Coro, cidade capital da Província de Falcón, Venezulea) que deixou a sua terra para continuar a crescer e para lhe cantar a realidade do seu povo. Um fatal "acidente" terminou com a sua vida, mas não com sua história nem com a sua música que seria o pilar mais forte do processo de mudança que vive Venezuela.

"...E fui enchendo com flores o meu fuzil de poemas e afinei a pontaria do canto contra as bestas. Fui somando corações para vencer os covis ao encher-me de rumores do volantín (papagaio de papel) quando voa. Eu amarrei as lembranças à árvore da noite e fui em procura do sol..."

Memória do soberano

Para Pedro Mijares, as canções de Alí Primera nunca perderão vigência, já que transmitem o sentimento revolucionário da nação que luta pelos seus direitos e “porque a sua musa era o povo e sempre permanecerá no coração de todos os venezuelanos”.

As novas gerações apoiam os seus ideais expressos no canto popular, tal é o caso do jornalista Pedro Carvajalino que considera que para muitos jovens “Alí Primeira é a inspiração para lutar com valentia para erradicar o imperialismo”.

Da mesma forma, Maria Gabriela Márquez, manifestou que as letras e as músicas do cantautor falconiano “são de reflexão, porque não só as escutamos como também aplicamos as suas mensagens em cada uma das nossas experiências”.

Uma história de luta

Alí Primeira Rosell, nasceu em Coro a 31 de Outubro de 1942, no seio de uma família venezuelana humilde, condição que o levou a cumprir vários oficios, no entanto, com o seu espírito de luta abalou rumo a Caracas para continuar a estudar.

Em 1963 obteve o título de bachiller (conclusão do ensino secundário) e no ano seguinte iniciou seus estudos na área de Química da Universidade Central da Venezuela, quando paralelamente começa sua etapa de compositor e cantor por diversão para depois se converter numa actividade de tempo inteiro que lhe permitiu ser conhecido como ”o cantautor do povo”.

“Humanidade” e “Não Basta Rezar”, foram as suas primeiras composições que tiveram grande sucesso, com esta última participou no festival da Canção de Protesto na Universidade dos Andes, dando assim a conhecer a sua potente voz.

Em 1968 o Partido Comunista de Venezuela (PCV) outorga-lhe uma bolsa para continuar os estudos em Roménia, estando em terras europeias, Alí Primeira gravou o seu primeiro L.P. intitulado "Gente da minha Terra", que posteriormente foi vetado pelo governo de turno na Venezuela, devido a isto o cantautor funda a sua própria editora discográfica "El Cigarrón", com esta marca grava 13 elepes (L.P.).

"Na Europa o mundo fazia-se-me pequeno ainda com os latinoamericanos. Eu lavava pratos para não vender o meu canto e às vezes conseguia cantar em lugares onde realmente se respeitava minha canção...", recordou Alí Primeira depois de voltar à sua terra. No entanto, conheceu o amor no velho continente e desse amor nasceram as suas filhas María Fernanda “Shimpi” e María Ángela “Marimba” de origem sueca.

Os venezuelanos voltam a desfrutar dos cantos revolucionários em 1973, quando Alí regressa (...). Cinco anos depois conhece Sol Mussett de cuja relação nasceram os seus filhos Sandino, Servando, Florentino e Juan Simón.

Fonte: Aporrea

Hugo Chávez e Alí Primera partilham as mesmas inspirações ideológicas, por um lado os líderes da esquerda revolucionária como Marx e Lenine, por outro os libertadores das Américas, como Bolívar, Martí, Sandino e outros. De um modo especial pelos que são simultaneamente libertadores da América Latina e comunistas revolucionários, como Fidel Castro e Che Guevara.

A propósito do cantautor, Chávez disse, dirigindo-se a jovens venezuelanos, "Alí Primera são vocês, muchachos" (...). "Alí Primera é o futuro. Alí Primera é a juventude venezuelana. Alí Primera é este Povo que ressucitou, que se levantou, que despertou com a sua consciência. Este é Alí Primera hoje!", disse Chávez recordando aos jovens a importância de aprofundar as suas consciências, o que "só se adquire através do conhecimento e do estudo".

Publicado originalmente em 25 de Fevereiro de 2009.

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Propósito

1 – Apoiar a Revolução Bolivariana, a qual tem provado repetidamente a sua natureza democrática, na luta para libertar os oprimidos da Venezuela.

2 – Defender a Revolução contra os ataques do imperialismo e dos seus agentes locais, a oligarquia venezuelana.

3 – Apoiar a nova confederação sindical, UNT, como sendo a legítima voz do movimento trabalhista.

4 – Rebater as distorções e as mentiras da comunicação social acerca da Venezuela e mobilizar o máximo de apoio possível na defesa destes pontos.

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