A Corrente Marxista Internacional (CMI) rechaça a tentativa em marcha do imperialismo estadunidense de realizar um golpe de Estado na Venezuela. O que estamos presenciando é uma tentativa de destituir o governo venezuelano do presidente Maduro por parte de uma coalizão de países liderados por Trump. Este é o último episódio de uma campanha de 20 anos contra a Revolução Bolivariana, incluindo golpes de Estado militares, infiltrações de paramilitares, sanções, pressão diplomática, distúrbios violentos e tentativas de assassinato.

Por ordem da Casa Branca e depois de reuniões em Washington, Juan Guaidó se autoproclamou “presidente interino” em um ato de rua em Caracas no dia 23 de janeiro. Esta declaração não tem absolutamente nenhuma legitimidade, mas foi imediatamente reconhecida por Trump, Bolsonaro, Duque, Macri e Almagro. Outros os acompanharam, incluindo 19 países da União Europeia. Em seguida, pediram ao exército venezuelano que declarasse sua lealdade ao novo “presidente”. A isto se seguiram as sanções impostas pelos EUA à empresa petrolífera PDVSA e o embargo de seus ativos nos EUA, no valor de 7 bilhões de dólares. O Banco da Inglaterra está retendo, por instruções dos EUA, outros 1,2 bilhões de dólares em ouro pertencente à Venezuela. O objetivo é asfixiar a economia venezuelana para obrigá-los a se submeter.

Estes atos de agressão imperialista flagrante estão sendo realizados sob a capa da “democracia” e da “ajuda humanitária”. Sejamos claros: o imperialismo mentiu sobre suas razões para o bombardeio da Líbia e sempre tratou de encontrar uma justificativa para a agressão imperialista. O governo dos EUA, que está construindo um muro para impedir a entrada de migrantes, que encerra em jaulas aqueles que conseguem entrar e separa as crianças migrantes de seus pais, claramente não têm a menor preocupação com a situação difícil dos migrantes venezuelanos. Trump nomeou a Elliot Abrams como a pessoa encarregada de supervisionar todas as operações de “restauração da democracia na Venezuela”. Isso já diz tudo o que se necessita para se saber a respeito. Abrams organizou o financiamento dos Contras (contrarrevolucionários na Nicarágua) e respaldou os esquadrões da morte em El Salvador e na Guatemala, durante a década de 1980.

O golpe tem três objetivos principais. O primeiro é esmagar a Revolução Bolivariana, um objetivo que Washington perseguiu por todos os meios possíveis durante 20 anos. Secundariamente, isto permitiria ao imperialismo estadunidense controlar as enormes riquezas petrolíferas e minerais da Venezuela. Finalmente, isto também serviria para dar uma lição aos trabalhadores e camponeses de todo o continente e, em particular, como uma ameaça clara à revolução cubana.

Se esta tentativa de golpe tiver êxito, será um desastre para o povo trabalhador na Venezuela e mais além. Guaidó já anunciou seu programa: a privatização de empresas nacionalizadas (eletricidade, aço, telecomunicações, cimento etc.) e das terras expropriadas; a “abertura” da indústria petrolífera às multinacionais estrangeiras em termos muito favoráveis; a demissão em massa de trabalhadores do setor público; a destruição de todos os programas sociais; a privatização da assistência médica e da educação; um “orçamento equilibrado”… Este é um programa aberto de reação nos campos social e econômico.

Para realizar este programa, tal governo teria que esmagar a resistência dos trabalhadores e camponeses, suprimindo as liberdades democráticas, atacando as organizações sindicais e comunitárias e detendo seus dirigentes. Conhecendo o caráter das turbas da oposição reacionária e seu histórico, também podemos esperar que sejam organizados linchamentos de chavistas.

Todos os socialistas, todos os anti-imperialistas e todos os democratas consequentes têm o dever de se opor com todas as suas forças a este golpe. Não há espaço para vacilos. Não é possível adotar uma posição de “nem o um, nem o outro” frente a uma flagrante agressão imperialista.

Esta situação se deteriorou devido às vacilações de Maduro e da burocracia do PSUV e de suas contínuas tentativas de buscar um compromisso com o imperialismo e com a classe dominante da Venezuela. A continuação dessa política hoje teria consequências nefastas.

A tentativa de golpe deve ser combatida mobilizando-se os trabalhadores e camponeses revolucionários e desferindo-se golpes ao imperialismo e seus agentes locais, a oligarquia (banqueiros, capitalistas e latifundiários). Deve-se fortalecer e armar a milícia e desdobrá-la em todos os bairros operários, em todas as fábricas e comunidades camponesas.

Guaidó pediu abertamente um golpe militar, incentivou o sequestro de bens venezuelanos por parte dos EUA e agora exige a agressão militar dos EUA contra a Venezuela. Isto é uma traição ao povo venezuelano. Deve ser preso e julgado. Também deve ser fechada a Assembleia Nacional golpista.

As empresas multinacionais dos países envolvidos no golpe de Estado devem ser expropriadas. As propriedades dos oligarcas envolvidos no golpe de Estado devem ser expropriadas. Os latifúndios devem ser entregues aos camponeses. Estas propriedades devem ser colocadas sob o controle dos trabalhadores e dos camponeses como a base de um plano democrático de produção para atender as necessidades urgentes das massas venezuelanas.

A Corrente Marxista Internacional (CMI) se compromete a continuar e a redobrar os esforços da campanha Tirem as Mãos da Venezuela e levá-la ao movimento dos trabalhadores e da juventude em todo o mundo com todas as nossas forças. Apelamos a todas as organizações de esquerda, sindicais e juvenis a se unirem a esta campanha.

Tirem as Mãos da Venezuela!

Nem golpe, nem guerra imperialista!

Expropriar os imperialistas e a oligarquia!

Trabalhadores do mundo, uni-vos!

Corrente Marxista Internacional, Turim, 10 de fevereiro de 2019


O bloqueio e as sanções dos Estados Unidos custaram um total de US$35 bilhões para a Venezuela, com o objetivo de vender a ideia de que existe uma crise humanitária para executar uma intervenção militar no país, afirmou o chanceler da República, Jorge Arreaza.

Durante uma entrevista nesta quarta-feira para Hispan TV, Arreaza explicou que o bloqueio, aliado ao ataque à economia nacional por fatores internos e externos, agravou a situação econômica, contexto que se vende como uma suposta crise humanitária.

Na Venezuela “não há uma crise humanitária. Na Venezuela há uma economia perturbada, bloqueada pelos Estados Unidos. O sistema financeiro se nega a atuar com a Venezuela e tivemos de buscar rotas alternativas com aliados amigos que temos no mundo. Impedem a Venezuela de utilizar o dólar como moeda de câmbio para a compra”, disse.

“Os bancos internacionais se negam a trabalhar com a Venezuela. O bloqueio e sanções contra a Venezuela nos custaram mais de US$30 bilhões desde agosto de 2017. Além disso, é uma economia em processo hiperinflacionário induzido por centros de poder nos Estados Unidos que impõe o tipo de câmbio”, denunciou.

O ministro das Relações Exteriores afirmou que se a Venezuela “tivesse estes US$35 bilhões que nos tiraram pelo bloqueio ” e sem o roubo da Citgo, a “Venezuela estaria em seu momento de maior prosperidade”.

Apesar das agressões, Arreaza ratificou mais uma vez a disposição do governo bolivariano de estabelecer um diálogo sincero com o governo dos Estados Unidos e a oposição, para evitar o golpe de Estado contra a democracia venezuelana e o intervencionismo.

Também destacou que o povo venezuelano hoje está defendendo seu direito à paz, seu direito a organizar o país sob o critério democrático da Constituição da República e não através da tutela de potências estrangeiras.


Ex-Pink Floyd acusa "insanidade" do governo norte-americano contra o povo venezuelano e denuncia interesse no petróleo. Trump diz que envio de militares à Venezuela "é uma opção".

O músico britânico Roger Waters divulgou neste domingo (3) uma mensagem contra o que chamou de tentativa de golpe dos Estados Unidos para derrubar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Pelo Twitter, o ex-Pink Floyd reforçou a convocação de um protesto marcado para ocorrer nesta segunda-feira (4) em Nova York contra a ingerência do governo norte-americano. 

Segundo Waters, trata-se de uma "insanidade" do governo norte-americano, que quer destruir a "real democracia" venezuelana para que a elite formada pelo 1% mais rico possa "pilhar" o petróleo daquele país. "Estados Unidos, tirem as mãos", tuitou o músico, acompanhado da hashtag #StopTrumpsCoupInVenezuela. 

Também no domingo, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o envio de militares à Venezuela "é uma opção". Em entrevista a rede de TV CBS, Trump disse que Maduro teria solicitado uma reunião, mas o pedido foi recusado pelo norte-americano, "porque estamos muito longe no processo". 

Há cerca de duas semanas, o presidente da Assembleia Nacional, Juán Guaidó, se declarou presidente interino da Venezuela, recebendo o apoio dos Estados Unidos, além de Brasil, Canadá e Argentina. Nesta segunda, Guaidó também foi reconhecido como interino por Espanha, Alemanha, Reino Unido, França, Suécia, Dinamarca, Áustria, Holanda e Portugal. Por outro lado, Maduro conta com o apoio de países como Uruguai, Rússia, China, Turquia e Irã. 

No domingo, Maduro rejeitou o ultimato dado por europeus para a realização de novas eleições presidenciais. "Por que a União Europeia tem que dizer a um país do mundo que já fez eleições que deve repetir suas eleições presidenciais, por que não foram vencidas pelos seus aliados de direita?", questionou o presidente venezuelano, em entrevista à TV espanhola La Sexta.  

Na segunda-feira passada (28), o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, acusou os Estados Unidos e parte da comunidade internacional de estar marchando por uma investida golpista.  "Estados Unidos não estão por trás das tentativas de golpe. Estão à frente", afirmou.


Foto: WikiCommons
As autoridades venezuelanas confiscaram no aeroporto internacional Arturo Michelena, em Valencia (estado de Carabobo), um lote de armas de guerra proveniente dos Estados Unidos.

O material bélico destinava-se, supostamente, a grupos terroristas ligados a planos golpistas no país sul-americano e foi confiscado durante uma operação levada a cabo por agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e funcionários do Serviço Nacional Integrado de Administração Aduaneira e Tributária (Seniat).

A informação, disponível no portal do Ministério venezuelano do Interior e da Justiça, foi divulgada à imprensa esta terça-feira pelo vice-ministro da Prevenção e Segurança Cidadã, Endes Palencia, segundo informa a VTV.

Palencia explicou que, durante o procedimento de fiscalização de mercadoria proveniente de Miami (EUA), as autoridades encontraram 19 espingardas, com acessórios, 118 carregadores, 90 antenas de rádio e seis telemóveis. Acrescentou que a mercadoria entrou no país no passado dia 3, tendo sido transportada pela companhia 21 Air Cargo, numa avião Air Bus.

«A GNB e os organismos de segurança do Estado estão a realizar as investigações pertinentes para dar com o paradeiro dos responsáveis por esta situação, que afecta a segurança e a tranquilidade dos cidadãos», disse ainda Palencia.

Recorde-se que, a 31 de Janeiro último, o ministro venezuelano do Interior, Néstor Reverol, anunciou a detenção de um grupo de indivíduos ligados à Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), que caracterizou como «terroristas» e «mercenários contratados pela oposição venezuelana», e que, tendo entrado na Venezuela a partir da Colômbia, estavam envolvidos num «plano conspirativo» que envolvia a realização de «assassinatos selectivos» e visava «promover o caos e o terror entre a população civil».

«Ajuda humanitária dos EUA é show político para intervir»

Numa entrevista que concedou à RT, o presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que a «ajuda humanitária», por parte da administração norte-americana, em resposta aos apelos feitos pela extrema-direita venezuelana, não é mais que «show político», para «justificar uma intervenção» no país caribenho.

«O imperialismo não ajuda ninguém no mundo. Diz-me a que lugar do mundo levaram [os norte-americanos] ajuda humanitária? O que levaram foi bombas para destruir o Afeganistão, o Iraque, a Síria, para provocar mortes. É um show, tão simples quanto isso», frisou.

Maduro vincou ainda a ideia de que o governo a que preside continua a trabalhar para evitar que Venezuela se transforme num país dependente, considerando que o seu país possui capacidade para produzir e importar aquilo de que necessita.

Neste sentido, destacou o papel desempenhado pelos Comités Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), que atendem a seis milhões de lares venezuelanos, garantindo-lhes o acesso a bens alimentares de primeira necessidade, tanto nacionais como importados. «Esse é que é um verdadeiro plano de ajuda humanitária», declarou.

Fonte: AbrilAbril

Foto: Agentes da GNB e funcionários do Serviço Aduaneiro e Tributário participaram na operação de apreensão de material bélico proveniente dos EUA no aeroporto internacional de Valencia Créditos / VTV

Num momento em que um novo golpe de Estado é promovido por Trump, com o apoio de Bolsonaro e de outros que se prestam servis, é indispensável a expressão da solidariedade com a República Bolivariana da Venezuela e o povo venezuelano.

Este golpe de Estado insere-se na escalada de desinformação, de desestabilização, de pressão, de chantagem, de bloqueio económico e financeiro promovidos pela Administração Trump, que está na raiz do agravamento dos problemas e dificuldades que enfrentam o povo venezuelano e que atingem igualmente a comunidade portuguesa na Venezuela.

Recorde-se que os EUA têm vindo a brandir a ameaça de uma intervenção contra a Venezuela – na senda do Iraque, da Líbia ou da Síria.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e outras organizações portuguesas, solidárias com o povo venezuelano e defendendo o seu legítimo direito a decidir soberanamente o seu caminho de desenvolvimento – um direito consagrado na Carta das Nações Unidas e no Direito Internacional – promovem uma sessão de Solidariedade com a Revolução Bolivariana, no próximo dia 30 de Janeiro (Quarta-feira), pelas 18h00, na Praça da Batalha, no Porto e no dia 31 de Janeiro (Quinta-feira), pelas 18h30, na Casa do Alentejo, em Lisboa.

Participa!

CPPC



Venezuela, outro projecto criminoso engendrado adivinhem por quem? Os Estados Unidos da América, a interferir uma vez mais nos assuntos internos de uma nação soberana.

Ninguém tem qualquer dúvida de que os EUA consideram a América Latina como sendo o seu pátio das traseiras, sentindo ser seu dever divino exportar a sua visão deturpada da democracia, impondo-a por intermédio de repressivas ditaduras fascistas, homicídio, sequestros e criminosos actos de subversão, terrorismo, sabotagem e perturbação. Tal sucedeu várias vezes em imensos países, sendo a Venezuela a vítima mais recente.

Leiam a comunicação social da treta, e encontrarão referências ao presidente democraticamente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, a quem se referem meramente como “Maduro”, com epítetos que lhe apegam como “ditador”, “déspota”, “autocrata”, não tendo ainda ninguém recordado que ele vive numas “instalações”, seja isso o que for.

O que não encontrarão será qualquer referência ao tremendo contributo social levado a cabo pelo venezuelano PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), primeiro sob Hugo Chávez e agora sob Nicolás Maduro. Para nomear só algumas das suas vitórias, a pobreza extrema decresceu em dois terços, o PIB per capita aumentou de 4,105 dólares em 1999 para 12,500 dólares em 2017, o índice de literacia aumentou de 91% para 97%... apesar de uns últimos anos difíceis, causados pelos preços do petróleo e pela subversão organizada no estrangeiro e implementada pela oposição daquele país. Esta tem por base a classe média alta da Venezuela e os elitistas a quem não lhes agrada os “chavistas”, os apoiantes da revolução social em Caracas, que providenciam serviços de bem-estar público, anteriormente quase inexistentes, financiados pelos dividendos do petróleo. Estes, e os seus manipuladores, acreditam ter direito à tremenda riqueza do país (a Venezuela tem comprovadamente as maiores reservas de petróleo do mundo).

Preferem privatizar hospitais onde o povo tenha que pagar em vez de uma saúde gratuita, preferem manter o povo na ignorância de modo a não poderem interpretar por si mesmos, preferem uma alta taxa de mortalidade infantil por serem essencialmente um bando de oportunistas egoístas desavergonhados que, no seu todo, não contêm um ínfimo de humanidade, decência ou moral. Resumindo, um bando de traidores.

Agora a verdade.

O que não encontrarão é qualquer referência a qualquer uma das 150 reuniões ocorridas entre a oposição e o PSUV entre Maio de 2016 e Janeiro de 2018 na República Dominicana, que culminaram com um acordo quanto a eleições presidenciais antecipadas, só para que Rex Tillerson, ex-secretário de Estado dos EUA, supostamente tenha telefonado a Júlio Borges (ex-presidente da Assembleia Nacional) da Colômbia, indicando à oposição que não assinasse o acordo.

A ética de Washington: cara ganho eu, coroa perdes tu

Porquê? Porque os EUA sabiam que a oposição iria perder, e assim a ala direita da oposição não participou nas eleições presidenciais da Venezuela em Maio último (as outras facções concorreram), quando Maduro ganhou. Os EUA tinham outros planos, uma vez que Washington segue uma ética de “cara ganho eu, coroa perdes tu” nas relações internacionais, principalmente no que toca a países com massivas reservas de petróleo. Washington pretende utilizar traidores internos que canalizem a riqueza para o exterior, e não a utilizem para melhorar os serviços públicos para o povo.

E isto, senhoras e senhores, resume a Venezuela.

A Liga dos Ruidosos Chihuahuas 

É interessante que tenhamos meramente que ver quais os países que saltaram à ordem de Washington para reconhecer este novo impostor que se auto-proclamou como presidente da Venezuela, afirmando ter o direito a tal devido à ausência de Maduro (que na realidade se encontra na residência presidencial onde leva a cabo os seus deveres como presidente), para verificar a lista dos favoritos e ruidosos chihuahuas de Washington. No topo da lista está como sempre o parceiro de cama, Reino Unido, sempre disposto a receber uma festa na cabeça à menção da sua “relação privilegiada”, juntamente com 12 nações assimiladas da América Latina, incluindo o Brasil do fascista Bolsonaro, que afirmou que preferia que um filho seu morresse num acidente de viação do que fosse gay.

O argumento utilizado por Washington e os seus ruidosos chihuahuas é o do costume, tão ridículo como teimoso e insípido. Queixam-se com a falta de democracia na Venezuela. Como é que educar o povo e aumentar a literacia é ser anti-democrático? Como é que chegar a acordo com a oposição é anti-democrático? Não é democrático é chegar a acordo e depois quebrá-lo quando os nossos companheiros de cama nos pedem, e com toda a certeza que também não é democrático reconhecer qualquer Manuel ou José que de súbito queira auto-proclamar-se rei de Saturno ou presidente da Venezuela, interferindo no processo interno de uma nação soberana, o que constitui um acto de intrusão criminosa e ilegal ao abrigo da Carta da ONU.

Então, é mentira afirmar que a oposição não participou nas eleições de 20 de Maio. Também é mentira falar de fraude eleitoral pois aqueles que conhecem o sistema eleitoral na Venezuela estão cientes de que se utilizam parâmetros biométricos nos actos de voto, impossibilitando uma fraude eleitoral. Duas mentiras.

Qualquer um se pode declarar presidente

A questão é que a oposição sabia perfeitamente que iria perder as eleições e por isso muitos recusaram participar, para depois se queixarem de fraude, declararem-se os legítimos vencedores e, olhai e contemplai, dois dias depois do vice-presidente dos EUA, Pence, afirmar que a oposição devia avançar com os seus planos, que os EUA os apoiariam, Guaidó auto-proclamou-se presidente, Trump reconheceu-o e os ruidosos chihuahuas vieram a correr obedientemente. 

Tal é tornar o direito internacional em anedota. Quem é responsável pela eleição dos seus representantes são os venezuelanos, não Washington. Os Estados Unidos da América provam actualmente serem governados por um regime criminoso que emprega políticas criminosas. São um Estado pária, um insulto ao direito internacional, e têm a palavra “vergonhoso” registada em todas as páginas que a eles se referem nos anais da História. Os livros de História serão extremamente cruéis para com Washington quando relatar os seus hediondos e horrendos actos desde 1945. Os seus obedientes, assimilados e ruidosos chihuahuas não ficarão melhor vistos.

Timothy Bancroft-Hinchey

Pravda.ru


Vivi na Venezuela meio ano e regressei três vezes em diferentes períodos. Estive em 2008, em 2010, em 2015 e há dois meses atrás. Portanto, duas vezes com Hugo Chávez e duas vezes com Nicolás Maduro. Percorri diferentes regiões do país, frequentei aulas na Universidade Central da Venezuela, em Caracas, assisti a diferentes actos eleitorais, participei em manifestações chavistas, vi protestos da oposição, conversei com comunistas, socialistas, trotskistas, anarquistas, social-democratas, neoliberais e fascistas, dei-me com indígenas, mestiços, africanos, europeus e árabes, conheci gente pobre e gente rica, estive com embaixadores, ministros, deputados e autarcas, convivi com militares, sindicalistas e empresários. Visitei as zonas ricas de Caracas com os seus apartamentos luxuosos e vivendas abastadas cercados de arame electrificado, câmaras de videovigilância e guardas armados. Passei muito tempo nas favelas construídas nas encostas das montanhas que cercam a capital da Venezuela.

Devido à quebra dos preços do petróleo no mercado internacional do qual depende a maioria da economia venezuelana rebentou uma crise que afectou outros países petrolíferos. As consequências sociais de uma crise à qual se somou um conjunto de sanções e bloqueios impostos pela União Europeia e Estados Unidos deram esperança às potências que sempre ambicionaram as maiores reservas de petróleo do mundo. Depois de uma década em que a Venezuela avançou em todos campos - erradicação do analfabetismo, democratização do acesso à saúde, construção de habitação social para 2 milhões de habitantes, supermercados do Estado com produtos a preços controlados - Washington e Bruxelas decidiram investir todas as cartas na subversão. Apertam o pescoço à Venezuela e dizem-nos que o problema é dos pulmões. 

A oposição que tem partidos legais, que tem jornais, que tem canais de televisão, que faz manifestações legais, que tem cartazes e outdoors e que tem eleitos diz que é uma ditadura. Sempre que há eleições e perde, a oposição venezuelana diz que as eleições não são livres. Quando ganha reconhece-as sempre. Aliás, que as ganhe já significa que as eleições são livres. Agora, os Estados Unidos decidiram impor como presidente um tipo que até anteontem poucos conheciam na Venezuela, que pertence a um partido que não participou nas eleições presidenciais porque não quis. O que querem que acredites é que o legítimo presidente da Venezuela é Juan Guaidó que não recebeu um único voto para presidente da Venezuela e não Nicolás Maduro, eleito por 67% dos votos. Depois do Iraque, do Afeganistão, da Líbia e da Síria, se calhar já estava na hora de abrirmos os olhos. Os Estados Unidos e a União Europeia não querem qualquer democracia senão já teriam bombardeado a Arábia Saudita. O que querem é um novo banho de sangue porque estão interessados nos recursos da Venezuela: petróleo e ouro. Basta de que façam de nós lambe-botas dos interesses das grandes potências. É o povo venezuelano que deve resolver os seus problemas internos e escolher o seu próprio futuro sem ingerências externas.

Bruno Carvalho, Manifesto 74


A Casa da Paz, sede do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), acolheu no dia 23 de Janeiro uma iniciativa de solidariedade para com a República Bolivariana da Venezuela, num momento em que esta enfrenta e resiste ao bloqueio económico e diplomático dos EUA, coordenado com a desestabilização interna promovida pela oligarquia, e a uma poderosa ofensiva mediática.

Estiveram presentes o embaixador da República Bolivariana da Venezuela em Portugal, general-em-chefe Lucas Rincón Romero, e outros diplomatas, dirigentes e activistas do CPPC (entre as quais a presidente da direcção nacional, Ilda Figueiredo) e representantes de dezenas de sindicatos, associações e entidades.


O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) defende o legítimo direito dos povos a decidirem soberanamente o seu rumo de desenvolvimento – um direito consagrado na Carta das Nações Unidas e no Direito Internacional –, uma sua posição de sempre que é tão mais importante reafirmar no momento em que se intensifica uma aberta e descarada ameaça, a pressão, a chantagem, o bloqueio e a interferência sobre a República Bolivariana da Venezuela, que visa atingir e agravar as condições de vida do seu povo.

O não reconhecimento do Presidente democraticamente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, é mais um episódio do longo processo de ingerência e desestabilização promovido e levado a cabo pelos Estados Unidos da América e pela oligarquia venezuelana e que dura há 20 anos, tantos quantos tem a Revolução Bolivariana – o golpe de Estado contra o Presidente Hugo Chávez em 2002, a sabotagem da empresa estatal de petróleo PDVSA, o terrorismo, o bloqueio e as sanções económicas e diplomáticas foram e são métodos utilizados para dificultar a acção e, se possível, derrubar o poder bolivariano, as instituições legítimas do país, sufragadas democraticamente ao longo de 20 anos.

Nos 25 actos eleitorais realizados na Venezuela nas últimas duas décadas, as forças bolivarianas venceram 23 e a oposição duas. Nas eleições presidenciais de Maio do ano passado, a oposição golpista – desunida e politicamente derrotada –, seguindo orientações dos EUA, rejeitou os esforços de diálogo por parte do Governo venezuelano nas negociações que tiveram lugar na República Dominicana, decidiu não apresentar nenhum candidato e tentou demover outros de se apresentarem, para assim procurar retirar legitimidade ao acto eleitoral, o que não conseguiu. A vitória obtida por Nicolás Maduro teve um grande significado. Importa referir que a transparência e fiabilidade do sistema eleitoral venezuelano é comprovada por instituições internacionais, como o Instituto Carter, dirigido pelo ex-presidente dos EUA James Carter.

O que a Administração norte-americana e a oligarquia venezuelana não perdoam, acompanhados por um coro de governos subservientes aos interesses dos EUA – como a generalidade dos que integram o chamado 'Grupo de Lima' –, não é qualquer falta de legitimidade democrática do Presidente eleito da República Bolivariana da Venezuela ou supostas violações de direitos humanos e da democracia. Como comprova a brutal realidade imposta a países agredidos pelos EUA e seus aliados, estes são, apenas, os velhos e estafados 'argumentos' a que recorrem para esconder a operação de desestabilização que promovem para procurar derrubar o Governo legítimo da Venezuela, colocando em causa a paz e a segurança do povo venezuelano, incluindo da numerosa comunidade portuguesa que vive neste país.

O que verdadeiramente lhes dói é a capacidade de resistência de um processo soberano, democrático e de conteúdo progressista que colocou as imensas riquezas da Venezuela ao serviço do desenvolvimento económico, social e cultural do povo venezuelano, que ajudou a construir caminhos de cooperação entre países da América Latina, mutuamente vantajosos e libertos da alçada dos EUA, que afirmou a sua determinação em seguir um caminho livremente escolhido pelo povo venezuelano, sem ingerências nem interferências exteriores.

Tendo presente os grandes desafios e problemas que enfrenta a Revolução bolivariana e o povo venezuelano, não podemos também deixar de ter presente as profundas transformações operadas na Venezuela em quase 20 anos, que, apesar de bloqueios e ingerências de toda a espécie, alcançou 2,5 milhões de famílias realojadas, a erradicação do analfabetismo, uma das maiores taxas de frequência universitária do mundo, avanços na saúde, reconhecimento dos direitos dos povos indígenas, um regime democrático amplamente participado.

Perante o boicote e a imposição de um férreo bloqueio económico e financeiro, perante a tentativa de isolamento político e diplomático da Venezuela, que visam atingir a economia deste país e prejudicar as condições de vida do povo venezuelano, quem defende a paz e o direito de cada povo a definir, livre de ingerências externas, o seu futuro, só pode exigir o fim do boicote e do bloqueio económico, pois é o seu fim que serve os interesses do povo venezuelano e da comunidade portuguesa que vive na Venezuela.

Perante a ameaça de intervenção militar, a desestabilização, toda a imensa agressão externa de que a República Bolivariana da Venezuela e o seu povo são vítimas, quem defende a paz e o direito de cada povo a definir, livre de ingerências externas, o seu futuro, só pode ser solidário com a Revolução bolivariana e o povo venezuelano que luta em defesa da sua soberania, do seu direito ao desenvolvimento e ao progresso social.

22 de Janeiro de 2019
Direcção Nacional do CPPC


Alguns dos eventos que ocorreram ontem:

- As Forças Armadas venezuelanas já assumiram clara e inequivocamente que apoiam o presidente Maduro e rejeitam Guaidó e qualquer tipo de intervenção estrangeira. Houve uma declaração televisiva por parte do ministro da Defesa, o general Padrino, rodeado de todo o alto comando das FANB. Tal foi precedido por declarações televisionadas de todas as regiões militares da Venezuela. Por agora, o Exército está do lado do governo eleito.

- A 23 de Janeiro, Maduro ordenou a expulsão dos diplomatas dos EUA no prazo de 72h. Guaidó afirmou estar a ordenar que todas as embaixadas permanecessem. Os EUA afirmaram que não iriam embora uma vez que tal não tinha sido ordenado pelo presidente por eles reconhecido. Ontem decidiram retirar todos os funcionários não-diplomáticos. A Venezuela ordenou aos seus diplomatas que abandonassem os EUA. Gauidó apelou-lhes a que ficassem e que o reconhecessem.

- Na reunião da Organização dos Estados Americanos os EUA não obtiveram a maioria necessária para fazer aprovar uma resolução contra a Venezuela, foi então assinado um comunicado por 17 nações sem qualquer vinculo legal e o “embaixador” nomeado por Guaidó não foi reconhecido.

- O próximo estágio da provocação: Guaidó pediu oficialmente auxílio humanitário aos EUA. Na cimeira da OEA, Mike Pompeo prometeu 20 milhões de dólares. Trata-se de uma tentativa para provocar um conflito militar. Se quaisquer forças dos EUA (“humanitárias” ou outras) entrarem no território da Venezuela, tal seria considerado uma invasão.

- Os EUA afirmaram estar à procura de um modo para cortar os dividendos do petróleo que financiam o governo venezuelano e redirecioná-los para Guaidó, são bem capazes de o fazer e tal afectaria gravemente a economia e o financiamento do governo.

- Um artigo da Reuters avançou pormenores de um frenesim de telefonemas por parte dos EUA e de Almagro aos países latino-americanos ANTES de Guaidó se auto-proclamar presidente com o intuito de assegurar o seu apoio para com ele. Como sabemos, o golpe foi criado pelos EUA.

- Está à vista que os falcões da administração dos EUA são os responsáveis e estão determinados em implementar uma mudança de regime na Venezuela a curto prazo por todos os meios possíveis.

- Hunt, o secretário dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, falou publicamente nos EUA dando total apoio ao golpe e conseguiu errar em dois factos essenciais: afirmou que “as urnas eleitorais já estavam cheias”, quando na realidade não existem urnas na Venezuela, o voto é electrónico, e que “a oposição foi proibida” de concorrer nas eleições presidenciais, quando na realidade o líder oposicionista Falcón concorreu nas mesmas.

- Durante a noite ocorreram bastantes incidentes violentos em Caracas e noutras cidades, tal como na noite anterior. As principais características destes incidentes: tratam-se de pequenos grupos armados (criminosos, lumpen, pagos e armados por sectores da oposição) que atacam instalações da Guarda Nacional, tiroteios e utilização de granadas de mão em zonas da classe trabalhadora essencialmente chavista. É um método diferente até das violentas barricadas de 2017. Nessa altura, tratou-se essencialmente de jovens de classe média e alta (embora também tenham estado envolvidos elementos criminosos), amotinaram-se principalmente nas suas próprias áreas e contaram com algum apoio da população local.

- Existem relatos confusos de um activista revolucionário abatido e queimado até à morte em Mérida.

- Recebi o relato visual de um camarada que testemunhou um assalto armado a um edifício do governo no Amazonas no dia 23 de Janeiro, levado a cabo por elementos da oposição em conjunto com forças paramilitares (da Colômbia?) – no mesmo dia e noutras partes do país houve ataques de fogo posto contra sedes do PSUV e edifícios governamentais.

- Uma observação: na Venezuela existem organizações revolucionárias e organizações ligadas ao PSUV, tanto nas cidades como no interior, armadas e dispostas a defender o governo legítimo em caso de um golpe de Estado ou de qualquer tipo de intervenção estrangeira.

- Tanto a Rússia como a China já emitiram comunicados bem fortes contra uma intervenção estrangeira na Venezuela e dando o seu apoio ao governo em funções. Ambos possuem interesses, investimentos e contratos consideráveis na Venezuela que desejam defender. Este conflito tem também um ângulo geopolítico.

- O silêncio da parte de Corbyn-MdDonnell é desapontante, a comunicação social já os está a atacar por apoiarem Chávez-Maduro, deviam vir a público e afirmar os factos mais básicos: trata-se de um golpe apoiado por Trump, Guaidó não tem qualquer legitimidade, o povo da Venezuela deve estar livre de qualquer interferência externa para decidir o seu futuro, o Banco de Inglaterra deve devolver o ouro venezuelano que está a reter, Jeremy Hunt é um… bem, essa parte devem deixar de fora.

- Guaidó já afirmou que iria dar às empresas petrolíferas “facilidades fiscais e contratuais”, basicamente revogando as leis de Chávez que limitaram o papel das empresas estrangeiras na indústria petrolífera, claramente uma das razões do golpe é permitir que as multinacionais dos EUA controlem o petróleo da Venezuela.

Jorge Martín



Na França os protestos anti-governo dos “coletes amarelos” foram alvo de uma parca cobertura mediática na comunicação social ocidental e a cobertura que houve foi bastante hostil para com os manifestantes.

Contudo, na Venezuela a história é outra. Neste caso as manifestações de rua são um evento noticioso de topo, apesar do país estar a milhares de quilómetros de distância. Mais, a cobertura é extremamente conivente para com os manifestantes e extremamente hostil para com o governo. 

Porque é que os manifestantes furiosos na França são maus, mas na Venezuela são bons?

A resposta tem a ver com as instâncias e com as alianças internacionais dos seus respectivos governos. Está incorrecto apodar Emmanuel Macron, presidente da França, de presidente dos ricos. Ele é, como o seu predecessor François Hollande admitiu na televisão francesa, o presidente dos muito ricos. 

Macron é um orgulhoso globalista, determinado a levar a cabo reformas neo-liberais no país, e a seguir o “intervencionismo liberal”, ie a política imperialista no estrangeiro, o que significa manter as forças francesas – ilegalmente – na Síria. Não é de admirar o entusiasmo das elites para com o rapaz. A queda de Macron, numa Revolução Francesa 2.0, seria um duro golpe para as pessoas mais poderosas do mundo. Não pode ser permitido.

As autoridades francesas reagiram aos protestos nas ruas com força; um activista foi até condenado a seis meses de prisão – mas tal foi em larga medida ignorado pelos “liberais” ocidentais, que estariam em pulgas para denunciar acções do mesmo género noutros países, países cujos governos não lhes agradam. Em vez disso, a mensagem foi “há que preservar a lei e a ordem”.

Os manifestantes dos coletes amarelos foram incansavelmente interpretados. Disseram-nos que eram a “extrema-direita” e “racistas”, até mesmo “anti-semitas”. Foi também promulgada a teoria da conspiração de que faziam parte dum sinistro plano russo para semear a divisão na Europa, teoria disseminada por aqueles que rotineiramente atacam outros por serem teóricos da conspiração.

Em contraste, os manifestantes anti-governo na Venezuela estão sempre certos, mesmo quando cometem horrendos actos de violência. Aqueles que falsamente acusaram os coletes amarelos de serem motivados pelo “racismo” ficaram calados quando um homem negro, Orlando Jose Figuera com 21 anos de idade, foi queimado vivo em Caracas por manifestantes anti-governo em 2017.

Imaginem o alarido se os coletes amarelos tivessem queimado vivo um homem negro em Paris. Mas como foram anti-chavistas a fazê-lo na Venezuela, fechemos os olhos e finjamos que nunca aconteceu.

Embora não existam absolutamente nenhumas provas do envolvimento de qualquer nação estrangeira nos protestos dos coletes amarelos, os EUA e os seus aliados têm apoiado abertamente os protestos anti-governo na Venezuela.

Trump reconheceu inclusivamente como presidente do país o líder da oposição, Juan Guaidó. Agora, imaginemos os cabeçalhos caso Vladimir Putin reconhecesse Marine Le Pen ou Jean-Luc Mélenchon como presidente da França – ou afirmado, como Trump afirmou em relação à Venezuela, que a Rússia podia invadir a França caso o governo não se demitisse!

Esta jogada dos EUA já foi endossada pelos graúdos da União Europeia, como Guy Verhofstadt, recordando-nos que apesar de todo o seu criticismo de Trump, estes politicamente correctos “liberais” europeus detectores de virtudes estão na mesma página que os EUA no que diz respeito a operações imperialistas para mudanças de regime. Não se trata só da Venezuela, sucedeu o mesmo com a Jugoslávia em 2000 e com a Ucrânia em 2014.

É uma lista concorrida, mas o prémio para maior hipócrita de todos vai para Emmanuel Macron.

O homem que tem reprimido protestos legítimos no seu país, e cujo índice de aprovação baixou para meros 21% no princípio do mês, publicou um tweet no qual louvava “a coragem das centenas de milhar de venezuelanos que se encontram a protestar pela sua liberdade”.

Para os manifestantes dos coletes amarelos, e para todos aqueles que apoiam genuinamente a liberdade, tal é uma piada muito doentia.

Neil Clark

© Sputnik

Juan Guaidó era um desconhecido para o mundo até ter pedido auxílio estrangeiro para “assumir o poder” na Venezuela após o juramento de Maduro no seu segundo mandato consecutivo, no passado dia 10 de Janeiro.

Três dias após a tomada de posse, quando o Serviço de Informações Bolivariano (SEBIN) deteve Guaidó durante meia hora nos arredores de Caracas (capital venezuelana), o jovem líder da Assembleia Nacional saltou para o panorama internacional impulsionado por uma enorme cobertura mediática.

Criado em La Guaira, capital do Estado de Vargas – para onde se deslocava no Domingo em que foi detido – Guaidó estreou-se como opositor nos protestos estudantis de 2007 contra o defunto presidente venezuelano Hugo Chávez Frias (1999-2013).

O novo líder da AN estudou Engenharia Industrial na Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas, e obteve as suas pós-graduações em Gestão Pública pela Universidade George Washington, nos Estados Unidos, e no Instituto de Estudos Superiores da Administração na capital venezuelana.

Até ser eleito para a AN, estudava e colaborava politicamente com Leopoldo López, líder opositor actualmente preso por impulsionar uma onda de violência na qual faleceram dezenas de pessoas.

O jovem deputado poderá ser uma nova oportunidade e um meio para as intenções dirigidas a partir do estrangeiro para derrubar o governo chavista, muito comprometido com a Revolução Bolivariana e a sua doutrina anti-imperialista.

© HispanTV

A Rússia e o México anunciaram esta quarta-feira que irão continuar a reconhecer a Nicolás Maduro como presidente do governa da Venezuela, em vez de Juan Guaidó.

Andréi Klímov, do Conselho da Federação da Rússia, declarou que não se prevê uma alteração na política da Rússia no que diz respeito à Venezuela e que Moscovo continua a reconhecer Maduro como presidente do país latino-americano.

O porta-voz da presidência mexicana, Jesús Ramírez, indicou, pela sua parte na sua conta no Twitter, que o governo mexicano “analisa” a situação na Venezuela, mas, contudo, não haverá “por agora” qualquer alteração nas relações diplomáticas com o governo de Maduro.

Mesmo assim, ao ser abordado quanto a este tema pela agência noticiosa francesa AFP, declarou que “onde estamos, (o posicionamento do México) é que reconhecemos as autoridades eleitas de acordo com a Constituição venezuelana”. 

Citado pela agência noticiosa britânica Reuters, um porta-voz do governo mexicano realçou, por sua vez, que o governo do presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador – popularmente conhecido como AMLO – não prevê “de momento” qualquer alteração na sua postura quanto a Caracas.

Que países já reconheceram Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela?

O presidente da Assembleia Nacional (AN) da Venezuela, Juan Guaidó, auto-proclamou-se dia quarta-feira como “presidente em funções” do país para forçar a saída de Maduro da presidência venezuelana.

Os países que aguardavam há muito tempo uma oportunidade para derrubar o governo de Maduro, entre eles os EUA, a Colômbia, o Brasil e a Argentina, reconheceram oficialmente Guaidó como chefe do Estado venezuelano.

Em contraste com a linha seguida pelo anterior executivo do México, presidido por Enrique Peña Nieto (2012-2018), o novo governo de esquerda de AMLO já deixou claro que prefere manter abertos os canais diplomáticos com Caracas para ajudar a encontrar uma solução para a crise política da Venezuela.

© HispanTV

Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pela oposição, auto-proclamou-se como “presidente interino” numa manifestação na zona Leste de Caracas.

A Casa Branca anunciou de imediato que reconhecia Guaidó como legítimo presidente da Venezuela, começou o golpe de Estado!

A decisão de Trump em reconhecer Guaidó como “presidente” da Venezuela em vez do eleito Maduro é um escândalo absoluto e foi seguida pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, também ele um interveniente crucial no golpe.

A Assembleia Nacional (em desrespeito pelo Supremo Tribunal) já nomeou, ilegalmente, um “embaixador” para a OEA – o golpe Trump – Bolsonaro – Almagro encontra-se em pleno avanço, tendo sido o primeiro passo a criação de um novo “presidente”, nós afirmamos TIREM AS MÃOS DA VENEZUELA!

Guaidó invocou o Artigo 233 da Constituição para justificar a sua jogada, mas tal não tem qualquer fundamento, o artigo menciona uma “ausência permanente” do presidente (o que não é o caso) e mesmo assim estipula que seja o vice-presidente a tomar posse, não o presidente da Assembleia Nacional (que além disso se encontra em desrespeito para com o Supremo Tribunal).

Claro está, não interessam as cortesias constitucionais, aquilo que testemunhamos é um golpe, o que importa é a força, ou seja, com que lado irá alinhar o Exército, ainda não existem quaisquer indícios a esse respeito.

Hoje decorreram imensas manifestações da oposição e também marchas chavistas de tamanho considerável, que decorreram amplamente sem violência.

O primeiro passo do golpe já foi tomado, a criação de um polo de poder alternativo, reconhecido pelo imperialismo dos EUA, agora irão seguir-lhes o Brasil e os países do Grupo de Lima.

Jorge Martín
Como sabem, na Venezuela encontra-se a decorrer uma tentativa para remover o presidente Maduro por intermédio de um golpe militar instigado por Trump, Bolsonaro, Macri e Almagro.

Quis relatar a situação na Venezuela na véspera das manifestações da oposição amanhã, 23 de Janeiro:

Como escrevi anteriormente, no passado dia 10 de Janeiro a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, recusou reconhecer Maduro como presidente apodando-o de “usurpador” e afirmou ser o único poder legítimo no país – estão assim a sugerir que o presidente da AN, Juan Guaidó, se torne no presidente interino do país, este apelou ao Exército que reconhecesse os seus poderes e rompesse com Maduro, que foi democraticamente eleito.

Os EUA têm falado abertamente sobre uma “transição para a democracia” e a AN aprovou uma “lei” estipulando que quaisquer oficiais do Exército que rompam laços com o “ditador” serão alvo de uma plena amnistia. 

O Supremo Tribunal declarou estas decisões da AN como nulas e vazias.

Ontem, 21 de Janeiro, durante a manhã houve um motim por parte de um certo número de oficiais da Guarda Nacional, posteriormente desarmados e detidos. Pode tratar-se apenas de um incidente isolado ou de um reflexo de uma manifestação mais ampla de descontentamento no seio das Forças Armadas. Note-se que os amotinados eram essencialmente oficiais de baixo escalão e da Guarda Nacional, não do principal corpo do Exército.

No final do dia houve protestos e queima de barricadas contra o governo em vários locais em Caracas, foram essencialmente diminutos, mas significativamente concentrados em comunidades de classe trabalhadora que são bastiões tradicionais do chavismo.

Se tal significar que a oposição reaccionária está a começar a ligar-se ao genuíno descontentamento das comunidades da classe operária quanto aos cortes de água, à hiperinflação, os baixos ordenados, etc., será um ponto de viragem. Este caso permanece ainda por se verificar.

A oposição pediu manifestações para amanhã, 23 de Janeiro, no aniversário da queda da ditadura de Perez Jiménez em 1958. Estão a concentrar todas as suas forças neste apelo.

Mike Pence (vice-presidente dos EUA) emitiu hoje um comunicado afirmando que os EUA estão ao lado dos venezuelanos que se encontram “a combater amanhã pela democracia” e que irão estar ao seu lado “até à plena restauração da democracia” – tal, na minha opinião, deve ser interpretado como um apelo a que amanhã ocorra um golpe militar.

A líder da facção mais extrema da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou que “se Maduro quiser preservar a vida tem que reconhecer que o seu tempo já terminou”. 

Como tal a situação é bastante séria. Está à vista que Washington e a oposição reaccionária vislumbram agora uma janela de oportunidade e estão preparados para partir para a ofensiva até conseguirem atingir o seu principal objectivo: o afastamento de Maduro por todos os meios.

A situação económica deteriorou-se desde a última tentativa em 2017 e há também o peso de uma série de promessas não cumpridas por parte do governo para sanar a situação económica. 

O nosso posicionamento mantém-se o mesmo: não apoiamos o governo de Maduro, cujas políticas estão a minar os ganhos da revolução. Opomos-nos por todos os meios à nossa disposição ao golpe reacionário Trump – Bolsonaro – Almagro.

Alguns já afirmaram inclusivamente que não importa quem ganhe uma vez que as condições de vida dos trabalhadores e dos agricultores já são extremamente más. Iludem-se. Se Washington levar a sua avante será um desastre ainda maior para os trabalhadores da Venezuela, mesmo ignorando o impacto político que tal teria na região e além desta.

Os marxistas, os activistas dos movimentos trabalhistas e todos os democratas consistentes têm o dever de rejeitar a tentativa de golpe em andamento e defender o direito do povo da Venezuela a decidir o seu próprio futuro fora do âmbito da intrusão imperialista.

Tirem as mãos da Venezuela!

Jorge Martín

Tradução: Flávio Gonçalves

Nicolas Maduro foi reeleito para mais um mandato nas eleições Presidenciais venezuelanas do passado Domingo, 20 de Maio. A maior parte da oposição reaccionária, com o pleno apoio de Washington e Bruxelas, apelara ao boicote, o que originou uma participação muito baixa nas zonas de classe média e alta nas principais cidades. A exigência de que se cancelassem as eleições obteve eco por parte dos governos de direita da região. Tal significa que muitas pessoas das áreas pobres e da classe trabalhadora fossem votar com o intuito de repudiar a descarada intromissão imperialista. Contudo, mesmo nestas zonas a participação foi visivelmente inferior à das anteriores eleições. A profunda crise económica é a principal preocupação da maior parte das pessoas e muitas estão cépticas quanto à habilidade do governo em lidar com a mesma.

Algumas horas após o fecho das urnas, o Conselho Nacional Eleitoral anunciou os primeiros resultados oficiais das eleições Presidenciais. Com 92 porcento das urnas contadas, 8.603.336 pessoas tinham votado (46,01 porcento, com uma projecção de 48 porcento uma vez contados todos os votos). Destes, 5.823.728 tinham votado em Maduro (67 porcento), 1.820.552 tinham votado no candidato da oposição, Henri Falcón (21 porcento), 925.042 no pastor evangélico Bertucci (10 porcento) e 34.614 no pouco conhecido Quijada, que se apresentou como candidato chavista dissidente (0,4 porcento).

Apesar da comunicação social internacional falar de “irregularidades em massa” (BBC), de Maduro “se ter reeleito” (El País) e de se tratarem de “umas eleições fraudulentas” (Financial Times), as eleições decorreram em condições normais, sem quaisquer incidentes e na presença de observadores internacionais, incluindo o ex-primeiro-ministro de Espanha, Zapatero. A ONU e a UE foram também convidadas a enviar observadores, mas recusaram. Agora as mesmas irão afirmar que existiram ‘numerosas irregularidades’ apesar do facto de não terem estado presentes para as testemunhar.

A hipocrisia da direita

As eleições ocorreram mesmo com o assalto por parte da oposição reacionária e do imperialismo para as evitar. Desde o dia em que foram convocadas, tanto os EUA como a UE anunciaram que não iriam reconhecer a sua legitimidade e exigiram a sua suspensão. A estes juntaram-se os países do Grupo de Lima: um bando ad hoc de governos de direita latino-americanos, criado para pronunciar comunicados concordantes com a política imperialista dos EUA quando esta não consegue obter a maioria do consenso na Organização dos Estados Americanos e outros organismos oficiais. A alegada preocupação quanto às garantias democráticas por parte dos governos da Argentina, do Brasil, da Colômbia, do México e das Honduras é completamente hipócrita. Nenhum desses governos sequer pestanejou quando se tratou da execução extra-judicial de Maldonado, activista pelos direitos indígenas, na Argentina; das centenas de milhar de deslocados e desaparecidos na Colômbia, o envolvimento do Estado no desaparecimento de 43 estudantes Ayotzinapa no México nem da descarada fraude eleitoral nas Honduras há uns meros meses.

Os partidos da oposição reaccionária venezuelana, agora agrupados na dita Frente Ampla Venezuela Livre (FAVL), que passaram seis meses do ano passado numa campanha violenta e terrorista a exigir que fossem convocadas eleições antecipadas, apelaram ao boicote das mesmas. As eleições decorreram exactamente um ano após os violentos apoiantes destas senhoras e senhores terem apanhado um jovem apoiante chavista de pele escura, Orlando Figuera, queimando-o vivo – tendo posteriormente falecido. Esse incidente por si só diz-nos tudo o que precisamos de saber acerca do verdadeiro carácter da oposição reaccionária, oligárquica, pró-imperialista e racista da Venezuela.

Que as eleições tenham decorrido de todo foi uma resposta clara a essas forças. Contudo, a oposição venezuelana levou um severo golpe o ano passado e encontra-se actualmente dividida e desmoralizada. Todas as tentativas que efectuaram para mobilizar pessoas para as ruas até ao 20 de Maio falharam de modo miserável. À medida que se aproximava o dia das eleições, um número cada vez maior de líderes da oposição cortou com a FAVL e apelou ao voto em Henri Falcón, que além do seu próprio partido foi apoiado pelo MAS e pelo COPEI. Não serviu de nada. A participação foi extremamente baixa nas zonas mais ricas das principais cidades – bastiões tradicionais da direita oposicionista – onde não houve filas nas urnas ou permaneceram completamente vazias ao longo do dia.

Claro está, Henri Falcón, fiel à tradição da oposição venezuelana sempre que perde umas eleições, gritou fraude, falou de 900 casos de irregularidade, afirmou não reconhecer os resultados e pediu novas eleições em Outubro. Risível. Ficou completamente claro que não conseguira mobilizar a base de apoio da oposição, que em grande parte cumpriu o apelo ao boicote por parte da FAVL, segundo instruções de Washington. 

Trabalhadores e pobres votaram contra o imperialismo

A participação foi maior nas áreas pobres e de classe trabalhadora, a base de apoio tradicional da Revolução Bolivariana. Muitos votaram como reacção à escandalosa campanha do imperialismo e da oposição para o cancelamento das eleições. Muitos votaram também para defender os ganhos que ainda permanecem da revolução. Há uma clara compreensão de que caso a oposição vença as eleições, irá destruir todas as conquistas e os trabalhadores e os pobres irão pagar o preço da crise com um programa brutal de ‘ajuste’ orçamental, inspirado no FMI. Mesmo assim, a participação foi mais baixa que o habitual em bastiões tradicionalmente chavistas. Ainda não foram divulgados os resultados mais pormenorizados, mas existem bastas provas anedóticas suficientes que sugerem ter sido este o caso. Houve filas em muitas urnas, as quais foram deliberadamente ignoradas pela comunicação social internacional, mas estas não foram tão longas nem persistentes como em eleições anteriores. Isto apesar do facto do PSUV e do Estado terem utilizado os seus aparelhos para tentar mobilizar o voto chavista, sem precedentes. Maduro obteve cerca de 30,5 porcento do eleitorado recenseado, abaixo dos 40 porcento que obtivera quando foi eleito pela primeira vez em 2013. Tal representa uma perda de 1,5m de votos, num recenseamento eleitoral contendo mais 2m de eleitores.

Ainda há um voto fiel chavista, que surge em todas as eleições por lealdade à Revolução Bolivariana e à luta pelo socialismo representados por Chávez. Mas torna-se cada vez mais difícil para este núcleo duro mobilizar outras camadas de eleitores. Entre a ala esquerda do movimento chavista há um aumento do criticismo para com a liderança e a burocracia, que tem demonstrado não conseguir lidar com a situação económica e que são um obstáculo à iniciativa revolucionária das massas.

Uma das principais áreas de conflito têm sido as comunas rurais. Nos últimos meses houve várias alturas nas quais grupos de camponeses organizados em comunas – em terrenos que lhes tinham sido cedidos de modo oficial – foram despejados. Estes despejos foram levados a cabo pela polícia local, pela Guarda Nacional, por juízes e funcionários públicos locais e pelo Instituto Nacional das Terras, tendo sido efectuados em proveito de senhorios que em muitos casos possuem estreitos laços políticos e empresariais com o aparelho do Estado.

No decorrer das eleições, representantes de topo do governo intervieram para reverter esta tendência e o próprio Maduro prometeu que não voltariam a ocorrer mais despejos. Uma das principais organizações campesinas, CRBZ, apelou ao voto em Maduro mas manteve todo o seu criticismo quanto à burocracia e ao aparelho do Estado. O mesmo ocorreu com a comuna El Maizal, em Lara, onde o Estado ainda não reconhecera a vitória eleitoral do porta-voz da comuna, Angel Prado, contra o candidato oficial do PSUV nas eleições Autárquicas de Dezembro.

O humor entre muitos apoiantes chavistas pode ser avaliado através da entrevista de um deles ao portal da BBC Mundo:

“Vamos dar-lhe [Maduro] um voto de confiança. Se tal não resultar, será o seu fim. Vou [às urnas] com esperança, mas se o país não melhorar, o povo vai sair à rua. Vou votar Maduro porque este deu a sua palavra de que as coisas irão melhorar, caso compreenda o valor de dar a palavra, irá cumprir a sua promessa.”

Resolver a crise com uma alternativa revolucionária

O problema é que, com base no seu desempenho, Maduro e a liderança bolivariana são incapazes de implementar as medidas necessárias para lidar com a crise económica. Em vez de enfrentar a crise de cabeça expropriando os capitalistas, os banqueiros e os proprietários das terras, o governo faz apelos constantes a que estes invistam. Em vez de atacar o papel que têm desempenhado na “guerra económica”, o governo atribui-lhes empréstimos e acesso ao dólar. No seu discurso de vitória Maduro, uma vez mais, apelou à oposição para que regressasse à mesa das negociações, apelo esse que estendeu ao imperialismo dos EUA.

Nas próximas semanas iremos ver uma intensificação da campanha imperialista contra o governo da Venezuela com novas sanções. O secretário de Estado adido dos EUA, John Sullivan, efectuando declarações na Argentina, afirmou que Washington estava a ponderar sanções petrolíferas, que teriam um impacto debilitante na economia. Esperam derrubar o governo por intermédio de uma escalada da crise e ao asfixiar economicamente o país. 

Para as massas bolivarianas a questão principal será a profunda crise económica, que resultou numa hiperinflação, num colapso do poder de compra dos ordenados e na escassez de bens essenciais. Maduro prometeu lidar com estes problemas depois das eleições e de criar “prosperidade económica”. Se estas promessas não se cumprirem, as camadas dos pobres e dos trabalhadores serão forçadas a procurar uma alternativa real, capaz de enfrentar o imperialismo mas também de resolver a crise económica.

Existem, de facto, apenas duas soluções possíveis. Uma, advogada por todas as alas da oposição (e com o apoio do imperialismo), é um plano brutal de ajuste orçamental, incluindo cortes na despesa social e estatal, o abandono da subsidiação, a abolição dos bens alimentares subsidiados, a privatização das empresas estatais e dos recursos naturais e o despedimentos em massa nas empresas dos sectores público e privado. Tal seria um completo desastre para os trabalhadores e seria acompanhado de uma redução dos seus direitos democráticos.

A outra opção seria nacionalizar todos os patamares fundamentais da economia e colocá-los sobre o controlo democrático dos trabalhadores, fazendo com que produzissem em benefício do povo e não do lucro de uma mão cheia de parasitas que constituem a oligarquia.

A política de meias medidas do governo Maduro, com concessões cada vez maiores para com a classe governante, só leva à desmoralização, ao cepticismo, ao agravamento da crise e, finalmente, de uma maneira ou outra, a um plano de ajuste brutal às custas da classe trabalhadora.

Para quebrar com esta situação, a vanguarda revolucionária precisa de delinear como principal objectivo construir uma alternativa genuína e revolucionária com base num programa socialista, que ofereça uma solução que beneficie o povo. É essa a tarefa do dia. 

Jorge Martín

Fonte: In Defense Of Marxism

Tradução: Flávio Gonçalves, Pravda.ru

Foto: Prensa Presidencial


O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) condena veementemente e considera da maior gravidade as declarações do Presidente dos EUA, Donald Trump, proferidas ontem dia 11 de Agosto, onde afirma que a Administração norte-americana tem muitas opções para a Venezuela, incluindo a “opção militar”.

Estas inaceitáveis declarações de Trump colocam de novo em evidência o que há muito tem vindo a ser denunciado: que a desestabilização da Venezuela tem como principal responsável e promotor os EUA, que apoiam forças anti-democráticas e a violência de grupos fascistas com o objectivo de promover um golpe de Estado contra um país soberano, contra a sua Constituição, contra o seu legítimo governo, contra o seu povo.

Um golpe de Estado, atentatório da soberania e independência da República Bolivariana da Venezuela e direccionado contra todos aqueles que estão empenhados em construir um futuro de paz e de progresso social na Venezuela e um caminho de cooperação entre os povos da América Latina e Caraíbas livre da tutela e domínio dos EUA.

Recorde-se que estas declarações de Trump, que consubstanciam uma ameaça aberta de acção militar contra o povo venezuelano, não são um acto isolado dos EUA contra a Venezuela, recordemos, entre muitos outros exemplos: a ordem executiva de Obama, que declarou a Venezuela como uma ameaça inusual e extraordinária para a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos; as declarações de sucessivos chefes do Comando Sul militar dos Estados Unidos – dirigido contra a América Latina e Caraíbas – relativamente a uma intervenção na Venezuela; ou as recentes declarações do director da CIA de aberta ingerência na situação venezuelana, assumindo abertamente a conspiração com os Governos da Colômbia e do México contra a Venezuela, não esquecendo as múltiplas e sucessivas sanções dos EUA contra este país.

Na sequência da grande participação popular na eleição da Assembleia Nacional Constituinte – demonstração de que o povo venezuelano rejeita a violência golpista, quer defender a paz e apoia o processo bolivariano –, os planos de ingerência, boicote económico e bloqueio financeiro dos Estados Unidos e seus aliados, incluindo a oligarquia reaccionária e anti-patriótica venezuelana, passam a uma nova e não menos perigosa fase.

O CPPC, reafirmando a sua firme solidariedade com a República Bolivariana da Venezuela e o seu povo, apela a todos os amantes da paz, democratas, defensores da soberania dos Estados e dos direitos dos povos, a expressarem a sua condenação da ingerência externa contra a Venezuela.
Há que prosseguir a solidariedade com a República Bolivariana da Venezuela e o povo venezuelano e a sua luta contra a ingerência externa e a violência golpista e em defesa da soberania nacional e do seu direito ao progresso social.

Direcção Nacional do CPPC

Pravda.ru - O ex-presidente da Câmara de Londres e membro da ala esquerda do Partido Trabalhista, protestou a má interpretação das suas palavras numa entrevista conduzida pela “Talk Radio” e mal citada pelo jornal britânico “The Guardian”, os excertos da entrevista foram transcritos na edição de 3 de Agosto sob o título “Ken Livingstone: a crise na Venezuela deve-se ao erro de Chávez não ter morto os oligarcas”, tendo inclusivamente eco em Portugal no diário “Público”, que no mesmo dia intitulou a notícia como “Em defesa de Caracas, ex-mayor de Londres diz que Chávez não quis ‘matar todos os oligarcas’”

O britânico “The Guardian” publicou no dia seguinte a rectificação de Ken Livingstone ultrajado pela transcrição errada das afirmações que o jornal recolhera da entrevista do ex-autarca do Partido Trabalhista à “Talk Radio”, sem qualquer justificação ou pedido desculpas. “Estou muito desapontado com o mau relato propositado dos meus comentários acerca da situação na Venezuela”, desabafa Livingstone no seu direito de resposta.

“Não afirmei que Hugo Chávez devia ter morto quem quer que fosse nem alguma vez defenderia tal coisa. Repudiei essa acusação inclusivamente no decorrer da própria entrevista que está a ser amplamente citada”, rectifica o ex-autarca. “O que estava a defender é que, contrariamente a algumas deturpações, Hugo Chávez não reprimiu a anterior elite governativa da Venezuela e muitos elementos dessa anterior elite permaneceram no país, tentando derrubar os presidentes eleitos", referindo-se a Chávez e a Maduro, "por meio de métodos violentos e inconstitucionais desde então (incluindo o golpe de 2002).”

A sua missiva termina com um alerta, “a situação na Venezuela requer um debate sério na comunicação social e não relatos jornalísticos distorcidos e sensacionalistas cujo único propósito é atrair leitores [clickbait].” 

Flávio Gonçalves

Está em curso na Venezuela algo que está para lá do clássico enfrentamento entre a esquerda e a direita, mas que se trata obviamente de um grave fenómeno de natureza social. Com a benção do Padre Jesuíta Numa Molina, a nova Assembleia Constituinte reuniu-se hoje em Caracas para proceder a alterações profundas da Constituição. Li com atenção a Constituição em vigor e lá está, com efeito, nos artigos 340, 341 e 343, a faculdade que assiste ao presidente em exercício convocar por solicitação de 115 deputados da Assembleia Nacional a eleição de um corpo de deputados com a finalidade de desencadear reformas constitucionais.

Assisto às intervenções e vejo que aquele meio milhar de deputados pertence a um tipo de venezuelano que não fazia parte, pelo menos até aos anos 90, da elite política dirigente do Estado. Mestiços, muitos mestiços, índios, negros e toda a variante de mesclas dominam a assembleia. Dir-se-ia que aquela gente estivera escondida atrás do palco durante séculos e que, subitamente, com o ascenso de Hugo Chávez, ganhou protagonismo e visi
bilidade. É evidente que quem tem acesso ao protagonismo, não cede e manter-se-á no poder. Os pobres venezuelanos já não saem do palco.

Trata-se, indiscutivelmente, de uma luta de classes, conflito que não é ainda uma guerra civil, mas que para lá poderá caminhar, caso as duas partes não consigam encontrar as bases para o diálogo. É sabido que sociedades autoritárias e marcadas por grande desigualdade engendram regimes políticos autoritários. Contudo, o actual governo da "revolução bolivariana" faz finca pé na igualdade e, como detém a força das armas, exerce um crescente autoritarismo que diz exprimir a vontade da maioria. Daí que este revolucionarismo - que ainda não é uma ditadura - se exprima de forma nacionalista. Entre os discursos que hoje ouvi e aqueles que Robespierre pronunciava na Convenção Nacional, poucas diferenças haverá, salvo os de pormenor geográfico e histórico.

Assim, para a chamada oposição, parece não haver outra solução que a de aceitar uma reforma social profunda, pois a alternativa seria uma guerra civil que não poderia ganhar e, logo a instauração de um regime revolucionário. O pior que poderia acontecer seria uma intervenção estrangeira, pois, lembramos, foi uma intervenção estrangeira que salvou a Revolução Francesa.

Miguel Castelo Branco

Evento:

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Propósito

– Apoiar a Revolução Bolivariana, a qual tem provado incessantemente a sua natureza democrática, na luta para libertar os oprimidos da Venezuela.

– Defender a Revolução contra os ataques do imperialismo e dos seus agentes locais, a oligarquia venezuelana.

– Rebater as distorções e as mentiras da comunicação social acerca da Venezuela e mobilizar o máximo de apoio possível na defesa destes pontos.

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