O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos estreia sua coluna-mensal na TV Boitempo com uma análise urgente e aprofundada da actual crise venezuelana. Para ele, podemos estar à beira de uma catástrofe sem precedentes.



O foco da maior parte dos conflitos, as pontes de fronteira entre a Colômbia e Venezuela junto aos povoamentos de Cúcuta e Ureña.

Quando Juan Guaidó anunciou que dia 23 de Fevereiro seria entregue “ajuda humanitária” proveniente dos Estados Unidos, era mais que previsível que hoje haveria circo na fronteira. A intenção é muito previsivelmente gerar um pretexto para mais intervenção directa contra a Venezuela.

Reunimos um apanhado dos principais acontecimentos do dia, tal como visto por jornalistas sérios e organizações no terreno.

Como aconteceu

Juan Guaidó começou o seu dia a atravessar a fronteira para a Colômbia, apesar da proibição do Supremo Tribunal de não poder abandonar o país. Foi recebido pelo Presidente da Colômbia, Ivan Duque, para dar as boas vindas à “ajuda” encomendada por Elliot Abrams, enviado especial dos Estados Unidos para a Venezuela e famoso apoiante de esquadrões de morte de extrema-direita na América Latina.

Guaidó apelou novamente a um levantamento das forças militares o que, barrando meia-dúzia de casos, não teve efeito sobre o grosso das forças. Anunciou que a “ajuda” já teria entrado tanto pela fronteira com o Brasil como pela colombiana. Ambas as declarações viriam a provar-se falsas.

Os pontos de entrada da “ajuda”. À esquerda, a fronteira com a Colômbia e, à direita, com o Brasil.

A primeira acção de relevo da manhã foi quando dois carros blindados com três desertores da Guarda Nacional Bolivariana atravessaram uma das pontes em direção à Colômbia, derrubando barreiras.


A fotojornalista chilena Nicole Kramm e uma agente da polícia venezuelana ficaram feridas. Segundo testemunhas, os guardas nacionais foram recebidos do outro lado com as palavras “são dos nossos, não disparem”. À espera deles estava um deputado da Assembleia Nacional venezuelana, José Manuel Olivares.

Guaidó acusou apoiantes do governo de queimar camiões com a “ajuda humanitária” na ponte Francisco de Paula Santander em Ureña. Outros observadores notaram a prevalência de membros da oposição a dirigir-se para o local com gasolina. É possível observar em imagens de drone que o camião ainda se encontrava do lado colombiano da fronteira, rodeado de apoiantes da oposição.


Este episódio parece estar a ser o foco da propaganda ocidental e está a ser usado para acusar o governo venezuelano (“o regime de Maduro”) de crimes contra a humanidade.

Guaidó apelou então novamente ao apoio da “comunidade internacional”, sem a qual seria uma figura irrelevante. Maduro declarou o romper de relações com a Colômbia e dá 24 horas para o pessoal diplomático sair do país.

Durante toda a tarde foram registados vários eventos de conflito entre grupos da oposição e os militares que bloqueavam a fronteira, com uso de gás lacrimogénio. Num destes episódios, a oposição aparentemente capturou um camião do governo e tentou usá-lo como um ariete em chamas contra a linha de tropas venezuelanas.


As pontes foram sobrevoadas por drones colombianos durante o dia. Vários membros da oposição também usaram coletes da Cruz Vermelha, contra os desejos da organização e à revelia da sua rejeição de participação na pseudo entrega de ajuda humanitária.


As suspeitas da Cruz Vermelha em relação à irrelevância da ajuda vieram a confirmar-se com as declarações de Eduardo González, chefe da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres da Colômbia, que está a coordenar a entrega da ajuda com a USAID e ONGs. Segundo o mesmo, não há medicamentos entre a ajuda, apenas material como luvas e seringas.


Artigo da autoria de Dan Cohen e Max Blumenthal. Permissão para traduzir e republicar gentilmente cedida pelos autores ao portal libertário Guilhotina.info, cuja reprodução nos foi permitida.

Antes do fatídico 22 de Janeiro, menos de um em cinco Venezuelanos tinham ouvido falar de Juan Guaidó. Há apenas um mês atrás, o político de 35 anos era uma personagem obscura num grupo politicamente marginal de extrema-direita fortemente associado a actos macabros de violência de rua. Até no seu próprio partido, Guaidó era uma figura intermédia na Assembleia Nacional dominada pela oposição, Assembleia que de momento está considerada em desrespeito pela constituição da Venezuela.

Mas depois de um só telefonema do Vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, Guaidó auto-proclamou-se presidente da Venezuela. Abençoado por Washington como líder do seu país, uma figura irrisória anteriormente desconhecida foi catapultada para o palco internacional como o líder escolhido pelos EUA para a nação com as maiores reservas de petróleo do mundo.

Ecoando o consenso de Washington, o conselho editorial do New York Times saudou Guaidó como um “rival credível” de Maduro com um “estilo refrescante e visão para levar o país para a frente.” O conselho editorial do Bloomberg News aplaudiu-o por procurar a “restauração da democracia” e o Wall Street Journal declarou-o “um novo líder democrático.” Entretanto, o Canadá, numerosas nações europeias, Israel e o bloco de governos latino-americanos de direita conhecidos como o Grupo de Lima reconheceram Guaidó como o legítimo líder da Venezuela.

Enquanto Guaidó parece ter-se materializado do nada, na verdade ele é o produto de mais de uma década de preparação assídua pelas fábricas de elite do governo dos EUA para mudanças de regimes. Junto com um cadre de outros estudantes activistas de direita, Guaidó foi cultivado para minar o governo de orientação socialista da Venezuela, desestabilizar o país e um dia tomar o poder. Apesar de ter sido até agora uma figura menor na política venezuelana, passou anos longe dos olhares a demonstrar o seu valor perante os corredores do poder em Washington.

“Juan Guaidó é uma personagem que foi criada para esta circunstância,” disse ao Grayzone o  sociologista argentino e importante cronista da política venezuelana Marco Teruggi. “É a lógica de um laboratório – Guaidó é como que uma mistura de vários elementos para criar uma personagem que, sinceramente, oscila entre o risível e o preocupante.”

Diego Sequera, um jornalista venezuelano e escritor para a publicação de investigação Misión Verdad, concordou: “Guaidó é mais popular fora da Venezuela do que dentro, especialmente dentro das elites da Ivy League [conjunto de escolas de elite nos EUA como Harvard, Yale, Princeton, etc.] e círculos de Washington,” comentou Sequera ao Grayzone, “Lá é uma personagem conhecida, previsivelmente de direita e considerado leal ao programa.”

Enquanto Guaidó é hoje vendido como a cara da restauração democrática, passou a sua carreira na mais violenta facção da oposição radical, posicionando-se repetidamente à frente de campanhas de desestabilização. O seu partido foi repetidamente desacreditado dentro da Venezuela, e é considerado parcialmente responsável por fragmentar uma oposição já bastante enfraquecida.

“Estes líderes radicais não têm mais de 20 por cento nos inquéritos de opinião,” escreveu Luis Vicente León, líder na Venezuela em inquéritos de opinião. De acordo com León, o partido de Guaidó permanece isolado porque a maior parte da população “não quer guerra. ‘O que querem é uma solução.’”

Mas tal é precisamente o motivo porque Guaidó foi escolhido por Washington: Não é esperado que lidere a Venezuela em direcção à democracia, mas que colapse um país que nas últimas duas décadas foi um bastião de resistência à hegemonia dos EUA. A sua subida inesperada assinala a culminação de um projecto de duas décadas para destruir uma robusta experiência socialista.

A “troika da tirania” na mira

Desde a eleição de Hugo Chávez em 1998, os Estados Unidos têm lutado para restaurar o controlo sobre a Venezuela e as suas vastas reservas de petróleo. Os programas socialistas de Chávez podem ter redistribuido a riqueza do país e ajudado a retirar milhões da pobreza, mas também lhe colocaram uma mira nas costas.

Em 2002, a oposição de direita da Venezuela removeu brevemente Chávez do poder com o apoio e reconhecimento dos EUA, antes dos militares restaurarem a sua presidência na sequência de uma mobilização popular massiva. Durante as administrações dos Presidentes dos EUA George W. Bush e Barack Obama, Chávez sobreviveu a inúmeras tentativas de assassinato, antes de sucumbir ao cancro em 2013. O seu sucessor, Nicolás Maduro, sobreviveu a três tentativas contra a sua vida.

A administração Trump imediatamente elevou a Venezuela para o topo da lista de alvos de Washington para mudança de regime, nomeando-a líder da “troika da tirania.” O ano passado, a equipa de segurança nacional de Trump tentou recrutar oficiais militares para instaurarem uma junta militar, mas o esforço falhou.

De acordo com o governo venezuelano, os EUA também estiveram envolvidos numa conspiração, denominada Operação Constituição, para capturar Maduro no palácio presidencial de Miraflores; e outra, chamada Operação Armagedão, para assassiná-lo durante uma parada militar em Julho de 2017. Apenas um ano depois, os líderes da oposição exilada tentaram e falharam matar Maduro com ataques à bomba via drone durante uma parada militar em Caracas.

Mais de uma década antes destas intrigas, um grupo de estudantes de direita da oposição foram escolhidos a dedo e instruídos por uma academia de elite para mudança de regimes financiada pelos EUA para mandar abaixo o governo da Venezuela e restaurar a ordem neoliberal.

Treinos com o “grupo de ‘exportar-a-revolução’ que plantou as sementes de uma série de revoluções coloridas”

A 5 de Outubro de 2005, com a popularidade de Chávez no pico e o seu governo a planear vastos programas socialistas, cinco “líderes estudantis” venezuelanos chegaram a Belgrado, Sérvia, para começar a treinar para uma insurreição.

Os estudantes chegaram da Venezuela por cortesia do Centro para Acção e Estratégias Não-Violentas Aplicadas, ou CANVAS [Center for Applied Non-Violent Action and Strategies]. Este grupo é financiado primariamente pela Doação Nacional para a Democracia [National Endowment for Democracy – NED], uma frente da CIA que funciona como o principal veículo do governo dos EUA para promover mudanças de regime; junto com ramificações como o Instituto Republicano Internacional [International Republican Institute] e Instituto Nacional Democrático para Assuntos Internacionais [National Democratic Institute for International Affairs]. De acordo com emails internos que vieram a público com origem na Stratfor, uma firma de espionagem conhecida como a “CIA sombra,” o CANVAS “também poderá ter recebido financiamento da CIA e treino durante a luta anti-Milosevic de 1999/2000.”

O CANVAS é um descendente da Otpor, um grupo sérvio de protesto fundado por Srdja Popovic em 1998 na Universidade de Belgrado. Otpor, que significa “resistência” em Sérvio, era o grupo de estudantes que ganhou fama internacional – e níveis Hollywoodescos de publicitação – ao mobilizar os protestos que eventualmente derrubaram Slobodan Milosevic.

Esta pequena célula de especialistas em mudanças de regime estava a funcionar de acordo com as teorias do defunto Gene Sharp, o assim chamado “Clausewitz da luta não armada.” Sharp tinha trabalhado com um ex-analista da Agência de Inteligência de Defesa [Defense Intelligence Agency], o coronel Robert Helvey, para conceber um plano estratégico que transformasse protestos numa arma que servisse como uma forma de guerra híbrida, apontando-a a Estados que resistissem à dominação unipolar de Washington.

Otpor nos Prémios Musicais Europeus da MTV em 1998

A Otpor era apoiada pela Doação Nacional para a Democracia, USAID e o Instituto Albert Einstein de Sharp. Sinisa Sikman, uma das principais formadoras da Otpor, chegou a dizer que o grupo até recebia financiamento directo da CIA.

De acordo com um email que veio a público escrito por um funcionário da Stratfor, depois de tirar Milosevic do poder, “a rapaziada que trabalhava na OTPOR cresceu, vestiram fato e gravata e desenharam a CANVAS… ou, por outras palavras, um grupo ‘exportar-a-revolução’ que plantou as sementes de uma série de revoluções coloridas. Ainda têm ligações a financiamento dos EUA e, basicamente, andam às voltas pelo mundo a tentar derrubar ditadores e governos autocráticos (aqueles de que os EUA não gostam ;).”

A Stratfor revelou que a CANVAS “virou a sua atenção para a Venezuela” em 2005, depois de treinar movimentos de oposição que lideraram operações pro-NATO de mudança de regime pela Europa do Leste.

Ao monitorizar o programa de treino da CANVAS, a Stratfor delineou a sua agenda insurrecionista em linguagem espantosamente sincera: “O sucesso não é de forma nenhuma garantido, e os movimentos de estudantes são apenas o início do que poderá ser um esforço de anos para desencadear uma revolução na Venezuela, mas os formadores em si começaram a sua carreira com o ‘Carniceiro dos Balcãs.’ Têm capacidades inacreditáveis. Quando vires estudantes a fazer manifestações simultâneas em cinco universidades venezuelanas, saberás que o treino acabou e que o trabalho real começou.”

A criação do cadre de mudança de regime “Geração 2007”

O “trabalho real” começou dois anos depois, em 2007, quando Guaidó terminou a licenciatura na Universidade Católica Andrés Bello de Caracas. Mudou-se para Washington DC para se inscrever no Programa de Governança e Gestão Política da Universidade de George Washington, sob a tutela do economista venezuelano Luis Enrique Berrizbeitia, um dos mais importantes economistas neoliberais da América Latina. Berrizbeitia é um ex-director executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) que passou mais de uma década a trabalhar no sector energético venezuelano, sob o velho regime oligárquico que foi deposto por Chávez.

Nesse mesmo ano, Guaidó ajudou a liderar marchas anti-governo depois do governo Venezuelano ter recusado renovar a licença da Radio Caracas Televisión (RCTV). Esta estação privada teve um papel de liderança no golpe de 2002 contra Hugo Chávez. A RCTV ajudou a mobilizar manifestantes anti-governo, falsificou informação para culpar apoiantes do governo por actos de violência levados a cabo por membros da oposição e baniu reportagens pro-governo durante o golpe. O papel da RCTV e de outras estações controladas por oligarcas em impulsionar a tentativa falhada de golpe foi capturada no aclamado documentário A Revolução Não Será Televisionada.

Ainda no mesmo ano, os estudantes reivindicavam mérito por dificultar o processo de referendo constitucional de Chávez para um “socialismo do século XXI” que prometia “definir o enquadramento legal para a reorganização política e social do país, dando poder directo a comunidades organizadas como pré-requisito para o desenvolvimento de um novo sistema económico.”

A partir dos protestos à volta da RCTV e do referendo, nasceu um cadre especializado de activistas de mudança de regime apoiados pelos EUA. Chamavam-se a si mesmos “Geração 2007.

Os formadores da Stratfor e CANVAS responsáveis por esta célula identificaram o aliado de Guaidó – um organizador político anarco-capitalista chamado Yon Goicoechea – como um “factor chave” na derrota do referendo constitucional. No ano seguinte, Goicochea foi recompensado pelos seus esforços com o prémio Milton Friedman do Instituto Cato por Avançar a Liberdade, junto com um prémio de 500 000$, que prontamente investiu na sua rede política.


Friedman, claro, foi o padrinho dos notórios Chicago Boys que foram importados para o Chile pelo líder da junta ditatorial de Augusto Pinochet para implementar políticas fiscais austeritárias ao estilo de “doutrina de choque” radical. E o Instituto Cato é um think-tank anarco-capitalista sediado em Washington DC e fundado pelos irmãos Koch, dois dos mais importantes financiadores do Partido Republicano e que se tornaram apoiantes agressivos da direita na América Latina.

A Wikileaks publicou um email em 2007, enviado para o Departamento de Estado, Conselho Nacional de Segurança e para o Departamento de Defesa do Comando do Sul pelo embaixador americano para a Venezuela William Brownfield a elogiar a “Geração de ‘07” por ter “forçado o presidente da Venezuela, habituado a determinar a agenda política, a reagir desproporcionalmente.” Por entre os “líderes emergentes” Brownfield identificava Freddy Guevara e Yon Goicoechea. Este último foi aplaudido como “um dos mais expressivos defensores dos direitos civis por entre os estudantes.”

Carregados de dinheiro dos oligarcas anarco-capitalistas e dos aparelhos de soft power do governo dos EUA, o cadre radical venezuelano levou as suas tácticas da Otpor para as ruas, junto com uma versão do logo do grupo, como se pode ver abaixo:


“Galvanizar o descontentamento público… para tomar partido da situação e virá-la contra Chávez”

Em 2009, os jovens activistas da Geração 2007 levaram a cabo a sua manifestação mais provocadora até então, baixando as calças em estradas públicas e imitando as tácticas ultrajantes de teatro de guerrilha delineadas por Gene Sharp nos seus manuais de mudança de regime. Os manifestantes tinham-se mobilizado contra a prisão de um aliado de outro recém-formado grupo de juventude chamado JAVU. Este grupo de extrema-direita “reuniu fundos de uma variedade de fontes do governo dos EUA, o que lhe permitiu ganhar notoriedade rapidamente como sendo a ala dura dos movimentos de rua da oposição,” de acordo com o livro “Construir a Comuna” do académico George Ciccariello-Mather.

Apesar de não existir vídeo do protesto, muitos venezuelanos identificaram Guaidó como um dos participantes chave. Apesar desta alegação estar por confirmar, é certamente plausível; os manifestantes de rabo ao léu eram membros do núcleo duro da Geração 2007 à qual Guaidó pertencia, e ostentavam as suas t-shirts Resistencia! Venezuela, como se pode ver abaixo:

É este o rabo que Trump que instalar no assento do poder na Venezuela?

Nesse ano, Guaidó expô-se ao público de outra forma, ao fundar um partido político para capturar a energia anti-Chávez que a sua Geração 2007 tinha cultivado. Denominado Vontade Popular, era liderado por Leopoldo López, um agitador de direita educado em Princeton e envolvido até às orelhas nos programas da Doação Nacional para a Democracia e eleito presidente de um dos distrito de Caracas mais ricos do país. Lopez era o retrato da aristocracia venezuelana, descendente directo do primeiro presidente do país. Também era o primo em primeiro grau de Thor Halvorssen, fundador da Fundação dos Direitos Humanos, sediada nos EUA e que funciona efectivamente como um serviço de publicidade para activistas anti-governo apoiados pelos EUA em países na mira de Washington para mudanças de regime.

Apesar dos interesses de Lopez se alinharem perfeitamente com os de Washington, despachos diplomáticos dos EUA publicados pelo Wikileaks destacaram as tendências fanáticas que acabariam por levar à marginalização da Vontade Popular. Um despacho identificou Lopez como “uma figura contenciosa dentro da oposição… muitas vezes descrito como arrogante, vingativo e sedento de poder.” Outros destacam a sua obsessão com confrontos de rua e a sua “abordagem sem compromissos” como uma fonte de tensões com outros líderes da oposição que priorizavam unidade e participação nas instituições democráticas do país.

O fundador da Vontade Popular, Leopoldo Lopez a passear com a sua esposa, Lilian Tintori

Em 2010, a Vontade Popular e os seus apoiantes estrangeiros movimentaram-se para tirar partido da pior seca a atingir a Venezuela em décadas. Falhas de electricidade massivas afectaram o país devido à falta de água, necessária para o funcionamento das estações hidroeléctricas. Uma recessão económica global e preços do petróleo em queda complicaram ainda mais a crise, aumentando o descontentamento público.

A Stratfor e a CANVAS – conselheiros chave de Guaidó e do seu cadre anti-governo – desenvolveram um plano chocantemente cínico para cravar uma faca no coração da revolução bolivariana. O esquema dependia do colapso de 70% do sistema eléctrico do país até Abril de 2010.

“Este pode ser o evento marcante, e há pouco que Chávez possa fazer para proteger os pobres da falha do sistema,” declarava a nota interna da Stratfor. “Isto poderá ter o efeito provável de galvanizar o descontentamento público de uma forma que nenhum grupo de oposição alguma vez poderia ter feito. Nesse momento, um grupo de oposição faria bem em tomar partido da situação e virá-la contra Chávez e a favor das suas necessidades.”

Por esta altura, a oposição venezuelana estava a receber a quantidade espantosa de 40$ a 50$ milhões por ano via organizações do governo dos EUA como a USAID, a Doação Nacional para a Democracia e, de acordo com um relatório de um think tank espanhol, o Instituto FRIDE. Também contava com a riqueza massiva nas suas próprias contas bancárias, a maior parte das quais sediadas fora do país.

Apesar do cenário imaginado pela Stratfor não se ter desenrolado, os activistas da Vontade Popular e os seus aliados abandonaram qualquer pretensão não-violenta e juntaram-se a um plano radical para desestabilizar o país.

A caminho da desestabilização violenta

Em Novembro de 2010, de acordo com emails obtidos pelos serviços de segurança venezuelanos e apresentados pelo ex-Ministro da Justiça Miguel Rodríguez Torres, Guaidó, Goicoechea e outros activistas estudantes participaram numa sessão de formação secreta num hotel no México denominado “Fiesta Mexicana”. As sessões foram dirigidas pela Otpor, os formadores em mudanças de regime sediados em Belgrado e apoiados pelos EUA. Foi relatado que o encontro recebeu a benção de Otto Reich, o exilado e fanático anti-Castro que na altura trabalhava no Departamento de Estado de Geroge W. Bush; e do ex-Presidente colombiano de direita Alvaro Uribe.

No decorrer das reuniões, segundo os emails, Guaidó e os seus amigos activistas desenvolveram um plano para derrubar Hugo Chávez via a criação de caos através de episódios prolongados de violência de rua.

Três líderes do sector petrolífero – Gustavo Torrar, Eligio Cedeño e Pedro Burelli – já tinham alegadamente pago os 52 000$ necessários para realizar a reunião. Torrar é um auto-descrito “activista dos direitos humanos” e “intelectual” cujo irmão mais novo Reynaldo Tovar Arroyo é o representante na Venezuela da companhia privada mexicana de gás e petróleo Petroquimica del Golfo, que detém um contrato com o Estado venezuelano.

Cedeño, por seu lado, é um homem de negócios venezuelano em fuga que pediu asilo aos Estados Unidos, e Pedro Burelli um ex-executivo da JP Morgan e ex-director da companhia de petróleo nacional da Venezuela, Petróleo da Venezuela (PDVSA). Deixou a PDVSA em 1998 quando Hugo Chávez tomou o poder, e está no comité consultivo do Programa de Liderança na América Latina da Universidade de Georgetown.

Burelli insistiu que os emails a detalhar a sua participação tinham sido forjados e até contratou um investigador privado para o provar. O investigador declarou que os registros da Google mostravam que os seus alegados emails nunca haviam sido transmitidos.

Mas hoje Burelli não faz segredo do seu desejo de ver o actual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deposto – e até arrastado pelas ruas e sodomizado com uma baioneta, como o foi o líder líbio Moammar Qaddafi por milícias apoiadas pela NATO.

@NicolasMaduro, jamas me has hecho caso. Me has fustigado/perseguido como @chavezcandanga jamás osó. Óyeme, tienes sólo dos opciones en las próximas 24 horas:
1. Como Noriega: pagar pena por narcotráfico y luego a @IntlCrimCourt La Haya por DDHH.
2. O a la Gaddafi.
— Pedro Mario Burelli (@pburelli) January 17, 2019

Actualização: Burelli contactou o Grayzone depois da publicação deste artigo para clarificar a sua participação na trama da “Fiesta Mexicana”.

Burelli disse do encontro que era “uma actividade legítima que aconteceu num hotel com outro nome” no México.

Foi perguntado se a OTPOR havia coordenado o encontro, ele apenas declarou que “gosta” do trabalho da OTPOR/CANVAS e apesar de não ser um financiador, “recomendei a activistas de vários países que seguissem e participassem nas actividades que levam a cabo em vários países.”

Burelli acrescentou: “O Instituto Einstein treinou abertamente milhares [de pessoas] na Venezuela. A filosofia de Gene Sharp foi amplamente estudada e adoptada. E tal provavelmente impediu que o conflito se transformasse numa guerra civil.”

A alegada conspiração da Fiesta Mexicana flui para outro plano de desestabilização revelado numa série de documentos apresentados pelo governo Venezuelano. Em Maio de 2014, Caracas publicou documentos que detalhavam um plano de assassinato contra o Presidente Nicolás Maduro. As fugas identificaram a anti-chavista de linha dura Maria Corina Machado – hoje o principal recurso do Senador Marco Rubio – como uma líder do esquema. Uma das fundadoras do grupo Sumate, financiado pela Doação Nacional para a Democracia, Machado funcionou como um contacto internacional para a oposição, tendo visitado o Presidente George W. Bush em 2005.

Machado e George W. Bush, 2005

“Acho que é altura de reunir esforços; fazer as chamadas necessárias e obter financiamento para aniquilar Maduro e o resto irá desmoronar-se,” escreveu Machado num email para o ex-diplomata venezuelano Diego Arria em 2014.

Noutro email, Machado afirmou que o plano violento tinha a benção do embaixador dos EUA para a Colômbia, Kevin Whitaker. “Já me decidi e esta luta continuará até este regime ser derrubado e apresentarmos resultados aos nossos amigos no resto do mundo. Se eu fosse a San Cristobal e me expusesse perante a OAS, nada teria a temer. Kevin Whitaker já reconfirmou o seu apoio e apontou os próximos passos. Temos um livro de cheques maior que o regime para quebrar o ringue de segurança internacional.”

Guaidó vai para as barricadas

Nesse Fevereiro, manifestantes estudantis agiram como tropas de choque para a oligarquia exilada, ergueram barricadas violentas pelo país, transformando quarteirões controlados pela oposição em fortalezas violentas conhecidas como guarimbas. Enquanto os media internacionais apresentavam as convulsões como um protesto espontâneo contra a governação de punho de ferro de Maduro, existiam provas amplas de que a Vontade Popular estava a orquestrar o espectáculo.

“Nenhum dos manifestantes nas universidades estavam a usar as suas t-shirts da universidade, todos usavam t-shirts da Vontade Popular ou da Justiça Primeiro,” disse na altura um participante na guarimba. “Podem ter sido grupos de estudantes, mas os conselhos de estudantes estão afiliados à oposição política e é a ela que respondem.”

À pergunta de quem eram os cabecilhas, o participante na guarimba disse, “Bom, para ser completamente sincero, esses tipos agora são legisladores.”

Cerca de 43 pessoas foram mortas durante as guarimbas de 2014. Três anos depois, surgiram novamente, causando destruição em massa da infraestrutura pública, o homicídio de apoiantes do governo e as mortes de 126 pessoas, muitas das quais eram Chavistas. Em várias ocasiões, apoiantes do governo foram queimados vivos por gangues armados.

Guaidó esteve directamente envolvido nas guarimbas de 2014. De facto, publicou vídeos no Twitter onde se apresentava vestido de capacete e máscara de gás, rodeado por elementos armados que tinham fechado uma auto-estrada e estavam envolvidos em confrontos violentos com a polícia. Aludindo à sua participação na Geração 2007, proclamou, “Recordo que em 2007 gritámos ‘Estudantes!’ Agora gritamos ‘Resistência! Resistência!’”

Guaidó apagou o tweet, por aparente preocupação com a sua imagem de campeão da democracia.


A 12 de Fevereiro de 2014, durante o pico das guarimbas desse ano, Guaidó subiu ao palco com Lopez durante um congresso da Vontade Popular e Justiça Primeiro. Durante uma longa diatribe contra o governo, Lopez incitou a multidão a marchar até ao escritório da Procuradora Geral Luisa Ortega Diaz. Pouco tempo depois, o escritório de Diaz foi atacado por gangues armados que tentaram queimá-lo. Ela denunciou aquilo a que chamou “violência planeada e premeditada.”

Guaidó ao lado de Lopez no fatídico congresso de 12 de Fevereiro de 2014

Numa aparição televisiva em 2016, Guaidó menorizou as mortes resultantes de guayas – uma táctica de guarimba que envolve esticar um fio de aço perpendicularmente a uma estrada para ferir ou matar motociclistas – como um “mito.” Os seus comentários branquearam uma táctica letal que matou civis desarmados como Santiago Pedroza e decapitaram um homem chamado Elvis Durán, entre muitos outros.

Este desprezo insensível pela vida humana iria definir o seu partido Vontade Popular aos olhos da maioria do público, incluindo muitos oponentes de Maduro.

Cair em cima da Vontade Popular

Conforme a violência e a polarização política escalaram pelo país, o governo começou a agir contra os líderes da Vontade Popular que ajudaram a alimentá-la.

Freddy Guevara, o Vice-Presidente da Assembleia Nacional e segundo em comando da Vontade Popular, foi um dos líderes principais nos motins de rua de 2017. Sob risco de enfrentar um julgamento pelo papel que desenrolou na violência, Guevara refugiou-se na embaixada do Chile, onde permanece.

Lester Toledo, um legislador da Vontade Popular do Estado de Zulia, era procurado pelo governo venezuelano em Setembro de 2016 sob acusação de financiamento de terrorismo e conspiração para cometer assassinatos. Os planos foram supostamente feitos em parceria com o ex-Presidente colombiano Álvaro Uribe. Toledo fugiu da Venezuela e realizou várias palestras com a Human Rights Watch, a Freedom House (patrocinada pelo governo dos EUA), o Congresso Espanhol e o Parlamento Europeu.

Carlos Graffe, outro membro da Geração 2007 treinado pela Otpor que liderou a Vontade Popular, foi preso em Julho de 2017. De acordo com a polícia, estava na posse de um saco cheio de pregos, explosivos C4 e um detonador. Foi libertado a 27 de Dezembro de 2017.

Leopoldo Lopez, há muito tempo líder da Vontade Popular, está hoje em prisão domiciliária, acusado de ter um papel crucial nas mortes de 13 pessoas durante as guarimbas de 2014. A Amnistia Internacional elogiou Lopez como “um prisioneiro de consciência” e condenou a sua transferência da prisão para casa como “não sendo suficiente”. Entretanto, os familiares de vítimas de guarimbas lançaram uma petição a pedir mais acusações contra Lopez.

Yon Goicoechea, o menino dourado dos irmãos Koch, foi preso em 2016 pelas forças de segurança, que dizem ter encontrado um quilo de explosivos no seu veículo. Num editorial no New York Times, Goicechea recusou as acusações como sendo falsas e afirmou que tinha sido preso simplesmente pelo seu “sonho de uma sociedade democrática, livre do Comunismo.” Foi libertado em Novembro de 2017.

Hoy, en Caricuao. Llevo 15 años trabajando con @jguaido. Confío en él. Conozco la constancia y la inteligencia con la que se ha construido a sí mismo. Está haciendo las cosas con bondad, pero sin ingenuidad. Hay una posibilidad abierta hacia la libertad. pic.twitter.com/Lidm8y5RTX
— Yon Goicoechea (@YonGoicoechea) January 20, 2019

David Smolansky, também um membro da Geração 2007 originalmente treinada pela Otpor, tornou-se o presidente mais jovem da Venezuela quando foi eleito em 2013 no subúrbio afluente de El Hatillo. Mas foi destituído da sua posição e condenado a 15 meses de prisão pelo Supremo Tribunal depois deste o ter considerado responsável por incentivar guarimbas violentas.

Em risco de acabar preso, Smolansky rapou a barba, meteu óculos de sol e escapou-se para o Brasil disfarçado de padre, com uma Bíblia na mão e um rosário à volta do pescoço. Agora vive em Washington DC, onde foi escolhido a dedo pelo Secretário da Organização de Estados Americanos Luis Almagro para liderar o grupo de trabalho sobre a crise de migrantes e refugiados da Venezuela

A 26 de Julho, Smolansky teve uma “reunião cordial” com Elliot Abrams, o criminoso condenado pelo caso Irão-Contra e instalado por Trump como enviado especial para a Venezuela. Abrams é notório por supervisionar a política secreta dos EUA para armar esquadrões de morte de extrema-direita durante os anos 80 na Nicarágua, El Salvador e Guatemala. O seu papel no golpe de Estado venezuelano despertou receios de que outra guerra sangrenta por procuração possa estar a caminho.

Cordial reunión en la ONU con Elliott Abrams, enviado especial del gobierno de EEUU para Venezuela. Reiteramos que la prioridad para el gobierno interino que preside @jguaido es la asistencia humanitaria para millones de venezolanos que sufren de la falta de comida y medicinas. pic.twitter.com/vHfktVKgV4
— David Smolansky (@dsmolansky) January 26, 2019

Quatro dias depois, Machado soltou outra ameaça violenta contra Maduro, declarando que se ele “quer salvar a sua vida, deve compreender que o seu tempo acabou.”

Um peão no jogo de outros

O colapso da Vontade Popular debaixo do peso da sua própria campanha violenta de desestabilização alienou largos sectores do público e colocou muita da sua liderança em exílio ou sob custódia. Guaidó permaneceu uma figura relativamente menor, tendo passado grande parte da sua carreira de noves anos na Assembleia Nacional como deputado alternado. Originário de um dos estados menos populosos da Venezuela, Guaidó ficou em segundo lugar durante as eleições parlamentares de 2015, tendo garantido o seu lugar na Assembleia Nacional com apenas 26% dos votos. Em verdade, é provável que o seu rabo fosse mais reconhecível que a sua cara.

Guaidó é conhecido como o presidente da Assembleia Nacional dominada pela oposição, mas nunca foi eleito para a posição. Os quatro partidos da oposição que compõem a Mesa Democrática de Unidade da Assembleia tinham decidido estabelecer uma presidência rotativa. A vez da Vontade Popular aproximava-se, mas o seu fundador, Lopez, estava em prisão domiciliária. Entretanto, o seu segundo em comando, Guevara, havia-se refugiado na embaixada do Chile. Uma figura chamada Juan Andrés Mejía seria o próximo na fila, mas por razões que só agora são claras, Juan Guaidó foi escolhido.

“Há uma razão de classe que explica a ascensão de Guaidó,” observou o analista venezuelano Sequera. “Mejía é de classe alta, estudou numa das universidades privadas mais caras da Venezuela e não podia ser facilmente vendido ao público da mesma forma que Guaidó pode. Para começar, Guaidó tem traços mestiços como a maioria dos venezuelanos, e parece-se mais com um homem do povo. Depois, ainda não foi sobre-exposto nos media, e portanto pode ser apresentado como qualquer coisa que se queira.”

Em Dezembro de 2018, Guaidó furtou-se para lá da fronteira e fez uma excursão até Washington, Colômbia e Brasil para coordenar planos para levar a cabo manifestações de massas durante a tomada de posse do Presidente Maduro. Na noite antes da cerimónia de juramento de Maduro, tanto o Vice Presidente Mike Pence como a Ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá Chrystia Freeland ligaram a Guaidó para afirmar o seu apoio.

Uma semana depois, o Senador Marco Rubio, Senador Rick Scott e o Republicano Mario Diaz-Balart – todos legisladores oriundos do lobby de exilados cubanos sediados na Flórida – juntaram-se ao Presidente Trump e Vice Presidente Pence na Casa Branca. A seu pedido, Trump concordou que se Guaidó se declarasse presidente, teria o seu apoio.

O Secretário de Estado Mike Pompeo encontrou-se pessoalmente com Guaidó a 10 de Janeiro, de acordo com o Wall Street Journal. No entanto, Pompeo nem conseguiu pronunciar o nome de Guaidó quando o mencionou numa conferência de imprensa a 25 de Janeiro, referindo-se a ele como “Juan Guido.”

O Secretário de Estado Mike Pompeo acabou de se referir à figura que Washington está a tentar instalar como Presidente venezuelano como “Juan *Guido*” – ou seja, o termo racista para italianos. O diplomata-mor da América nem se deu ao trabalho de aprender como pronunciar o nome do seu fantoche. pic.twitter.com/HsanZXuSPR
— Dan Cohen (@dancohen3000) January 25, 2019

A 11 de Janeiro, a página da Wikipedia de Guaidó tinha sido editada 37 vezes, revelando os esforços para moldar a imagem de uma figura anteriormente anónima que se tornou uma fachada para as ambições de mudança de regime de Washington. No final, a supervisão editorial da página foi entregue ao conselho de elite de “bibliotecários” da Wikipedia, que o declararam como presidente “contestado” da Venezuela.

Guaidó pode ter sido uma figura obscura, mas a sua combinação de radicalismo e oportunismo satisfez as necessidades de Washington. “Aquela peça interna estava em falta,” disse a administração Trump de Guaidó. “Ele era a peça que precisávamos para a nossa estratégia ser coerente e completa.”

“Pela primeira vez,” deliciou-se Brownfield, o ex-embaixador americano para a Venezuela, ao New York Times, “temos um líder da oposição que sinaliza claramente às forças armadas e policiais que os quer manter do lado dos anjos e dos bons.”

Mas o partido Vontade Popular de Guaidó formou as tropas de choque das guarimbas que causaram a morte tanto de agentes da polícia como de cidadãos comuns. Até se gabou da sua própria participação nos motins de rua. E agora, para conquistar a lealdade dos militares e da polícia, Guaidó teve de apagar a sua história sangrenta.

A 21 de Janeiro, um dia antes do golpe começar a sério, a mulher de Guaidó fez um apelo vídeo onde pedia aos militares que se levantassem contra Maduro. A sua performance foi rígida e desinspirada, sublinhando os limites políticos do seu marido.

Enquanto Guaidó espera por assistência directa, permanece o que sempre foi – um projecto de estimação de cínicas forças externas. “Não interessa se ele se queimar depois de todas estas desventuras,” disse Sequera da figura de proa do golpe. “Para os americanos, ele é descartável.”

Sobre os autores:

Dan Cohen é um jornalista e realizador. Produziu reportagens em vídeo amplamente distribuídas e relatos escritos de Israel-Palestina. Dan é um correspondente na RT America e está no Twitter a partir de @DanCohen3000.

Max Blumenthal é um jornalista premiado e autor de vários livros, incluindo os vencedores de vendas Gomorra Republicana, Golias, A Guerra dos Cinquenta e Um Dias e A Gestão da Selvajaria. Produziu artigos impressos para um conjunto de publicações, muitas reportagens em vídeo e vários documentários, incluindo Matar Gaza. Blumenthal fundou a Grayzone em 2015 para iluminar o estado de guerra perpétua da América e as suas perigosas repercussões domésticas.

A tradução original encontra-se em Guilhotina.info



A Tirem As Mãos da Venezuela é uma das organizações promotoras do "Acto Político Cultural de Solidariedade com a Revolução Bolivariana" organizado pelo Conselho Português Para a Paz e Cooperação:

"Colocando a defesa da paz como uma questão premente face à ameaça reiterada por Trump de agredir militarmente a Venezuela e o povo venezuelano, organizações portuguesas promovem um acto político-cultural no próximo dia 22 de Fevereiro, com inicio às 18h00, na Voz do Operário, em Lisboa.

Participarão solidariamente neste acto artistas como, 'El Sur', 'Freddy Locks', Jorge Rivotti, Sebastião Antunes e ainda Tiago Santos e Sofia Lisboa e poderão ser ouvidas intervenções de Ilda Figueiredo, presidente do Conselho Português pela Paz e Cooperação, de Augusto Praça, membro do Comissão Executiva da CGTP-IN, da Ex.ma Senhora Mercedes Martinez, Embaixadora da República de Cuba e do Ex.mo Senhor Lucas Rincón, Embaixador da República Bolivariana da Venezuela.

A defesa da paz, a solidariedade com a Revolução bolivariana é tão mais importante quando sobre a Venezuela se abate uma operação de ingerência e agressão, sustentada numa ampla campanha de desinformação que deliberadamente esconde que na raiz de dificuldades sentidas pelo povo venezuelano – que atingem também a comunidade portuguesa na Venezuela – está um feroz e desumano bloqueio económico e financeiro promovido pela Administração Trump.

A Venezuela e o povo venezuelano têm sido vítimas da acção desestabilizadora dos EUA e da extrema-direita venezuelana – responsáveis por recorrentes golpes de Estado, boicote económico, acção de violência e terrorismo, destruição de infra-estruturas e bens públicos e recusa de participação em eleições (em 20 anos, realizaram-se 25 actos eleitorais na Venezuela) e recusa do diálogo –, que não aceitam que o povo venezuelano possa decidir soberanamente o seu caminho de desenvolvimento e progresso social.

Não a novas 'Cimeiras das Lajes', reuniões da NATO ou encontros bilaterais em Washington, em que Governos portugueses sejam cúmplices e co-responsáveis pela desestabilização e a agressão contra Estados soberanos e os seus povos.

Não mais golpes de Estado fascistas – como contra o Chile de Salvador Allende!

Não mais guerras de agressão – como contra a Jugoslávia, o Iraque, a Líbia, a Síria ou o Iémen!

Pela paz e pelo respeito da soberania e independência da Venezuela!

Organizações promotoras (até o momento):

A Voz do Operário
Associação Conquistas da Revolução
Associação de Amizade Portugal – Cuba
Associação de Cubanos Residentes em Portugal
Associação Intervenção Democrática
Associação Portuguesa de Amizade e Cooperação Iúri Gagárin
Associação Portuguesa de Juristas Democratas
Colectivo Latino-americano e Caribenho de Jornalistas e Escritores
Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional
Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos
Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto
Confederação Portuguesa de Quadros Técnicos e Científicos
Conselho Português para a Paz e Cooperação
Ecolojovem – Os Verdes
Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas
Federação Portuguesa dos Sindicatos de Comércio, Escritórios e Serviços
Juventude Comunista Portuguesa
Movimento Democrático de Mulheres
Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal
Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins
Tirem as Mãos da Venezuela
União de Resistentes Antifascistas Portugueses
União dos Sindicatos de Aveiro
União dos Sindicatos de Lisboa
União dos Sindicatos do Distrito de Leiria




A convite da Fábrica de Alternativas, na sua Sede Social em Algés / Oeiras, o Conselho Português para a Paz e Cooperação participou, no passado dia 16, numa Sessão subordinada ao tema: “Venezuela – a verdade por trás das mentiras”.

Esta iniciativa, realizada no âmbito da atividade daquela Associação, contou com a participação de Amílcar Silva Campos, em representação do CPPC, e com uma significativa afluência de associados que participaram ativamente e com muito interesse no debate que se desenrolou ao longo de aproximadamente 2 horas.

Neste esclarecedor debate, perpassou o sentimento generalizado de condenação do golpe de estado em curso na Venezuela, de condenação dos seus promotores e da posição assumida pelo Governo Português, ao mesmo tempo que se manifestou um forte apego aos princípios e valores consignados na Carta das Nações, no Direito Internacional e na Constituição da República Portuguesa de não intervenção nos assuntos internos de outros países, de igualdade jurídica dos Estados, da resolução pacífica dos conflitos, do respeito pelos direitos humanos e pela autodeterminação dos povos.

CPPC


A Corrente Marxista Internacional (CMI) rechaça a tentativa em marcha do imperialismo estadunidense de realizar um golpe de Estado na Venezuela. O que estamos presenciando é uma tentativa de destituir o governo venezuelano do presidente Maduro por parte de uma coalizão de países liderados por Trump. Este é o último episódio de uma campanha de 20 anos contra a Revolução Bolivariana, incluindo golpes de Estado militares, infiltrações de paramilitares, sanções, pressão diplomática, distúrbios violentos e tentativas de assassinato.

Por ordem da Casa Branca e depois de reuniões em Washington, Juan Guaidó se autoproclamou “presidente interino” em um ato de rua em Caracas no dia 23 de janeiro. Esta declaração não tem absolutamente nenhuma legitimidade, mas foi imediatamente reconhecida por Trump, Bolsonaro, Duque, Macri e Almagro. Outros os acompanharam, incluindo 19 países da União Europeia. Em seguida, pediram ao exército venezuelano que declarasse sua lealdade ao novo “presidente”. A isto se seguiram as sanções impostas pelos EUA à empresa petrolífera PDVSA e o embargo de seus ativos nos EUA, no valor de 7 bilhões de dólares. O Banco da Inglaterra está retendo, por instruções dos EUA, outros 1,2 bilhões de dólares em ouro pertencente à Venezuela. O objetivo é asfixiar a economia venezuelana para obrigá-los a se submeter.

Estes atos de agressão imperialista flagrante estão sendo realizados sob a capa da “democracia” e da “ajuda humanitária”. Sejamos claros: o imperialismo mentiu sobre suas razões para o bombardeio da Líbia e sempre tratou de encontrar uma justificativa para a agressão imperialista. O governo dos EUA, que está construindo um muro para impedir a entrada de migrantes, que encerra em jaulas aqueles que conseguem entrar e separa as crianças migrantes de seus pais, claramente não têm a menor preocupação com a situação difícil dos migrantes venezuelanos. Trump nomeou a Elliot Abrams como a pessoa encarregada de supervisionar todas as operações de “restauração da democracia na Venezuela”. Isso já diz tudo o que se necessita para se saber a respeito. Abrams organizou o financiamento dos Contras (contrarrevolucionários na Nicarágua) e respaldou os esquadrões da morte em El Salvador e na Guatemala, durante a década de 1980.

O golpe tem três objetivos principais. O primeiro é esmagar a Revolução Bolivariana, um objetivo que Washington perseguiu por todos os meios possíveis durante 20 anos. Secundariamente, isto permitiria ao imperialismo estadunidense controlar as enormes riquezas petrolíferas e minerais da Venezuela. Finalmente, isto também serviria para dar uma lição aos trabalhadores e camponeses de todo o continente e, em particular, como uma ameaça clara à revolução cubana.

Se esta tentativa de golpe tiver êxito, será um desastre para o povo trabalhador na Venezuela e mais além. Guaidó já anunciou seu programa: a privatização de empresas nacionalizadas (eletricidade, aço, telecomunicações, cimento etc.) e das terras expropriadas; a “abertura” da indústria petrolífera às multinacionais estrangeiras em termos muito favoráveis; a demissão em massa de trabalhadores do setor público; a destruição de todos os programas sociais; a privatização da assistência médica e da educação; um “orçamento equilibrado”… Este é um programa aberto de reação nos campos social e econômico.

Para realizar este programa, tal governo teria que esmagar a resistência dos trabalhadores e camponeses, suprimindo as liberdades democráticas, atacando as organizações sindicais e comunitárias e detendo seus dirigentes. Conhecendo o caráter das turbas da oposição reacionária e seu histórico, também podemos esperar que sejam organizados linchamentos de chavistas.

Todos os socialistas, todos os anti-imperialistas e todos os democratas consequentes têm o dever de se opor com todas as suas forças a este golpe. Não há espaço para vacilos. Não é possível adotar uma posição de “nem o um, nem o outro” frente a uma flagrante agressão imperialista.

Esta situação se deteriorou devido às vacilações de Maduro e da burocracia do PSUV e de suas contínuas tentativas de buscar um compromisso com o imperialismo e com a classe dominante da Venezuela. A continuação dessa política hoje teria consequências nefastas.

A tentativa de golpe deve ser combatida mobilizando-se os trabalhadores e camponeses revolucionários e desferindo-se golpes ao imperialismo e seus agentes locais, a oligarquia (banqueiros, capitalistas e latifundiários). Deve-se fortalecer e armar a milícia e desdobrá-la em todos os bairros operários, em todas as fábricas e comunidades camponesas.

Guaidó pediu abertamente um golpe militar, incentivou o sequestro de bens venezuelanos por parte dos EUA e agora exige a agressão militar dos EUA contra a Venezuela. Isto é uma traição ao povo venezuelano. Deve ser preso e julgado. Também deve ser fechada a Assembleia Nacional golpista.

As empresas multinacionais dos países envolvidos no golpe de Estado devem ser expropriadas. As propriedades dos oligarcas envolvidos no golpe de Estado devem ser expropriadas. Os latifúndios devem ser entregues aos camponeses. Estas propriedades devem ser colocadas sob o controle dos trabalhadores e dos camponeses como a base de um plano democrático de produção para atender as necessidades urgentes das massas venezuelanas.

A Corrente Marxista Internacional (CMI) se compromete a continuar e a redobrar os esforços da campanha Tirem as Mãos da Venezuela e levá-la ao movimento dos trabalhadores e da juventude em todo o mundo com todas as nossas forças. Apelamos a todas as organizações de esquerda, sindicais e juvenis a se unirem a esta campanha.

Tirem as Mãos da Venezuela!

Nem golpe, nem guerra imperialista!

Expropriar os imperialistas e a oligarquia!

Trabalhadores do mundo, uni-vos!

Corrente Marxista Internacional, Turim, 10 de fevereiro de 2019


O bloqueio e as sanções dos Estados Unidos custaram um total de US$35 bilhões para a Venezuela, com o objetivo de vender a ideia de que existe uma crise humanitária para executar uma intervenção militar no país, afirmou o chanceler da República, Jorge Arreaza.

Durante uma entrevista nesta quarta-feira para Hispan TV, Arreaza explicou que o bloqueio, aliado ao ataque à economia nacional por fatores internos e externos, agravou a situação econômica, contexto que se vende como uma suposta crise humanitária.

Na Venezuela “não há uma crise humanitária. Na Venezuela há uma economia perturbada, bloqueada pelos Estados Unidos. O sistema financeiro se nega a atuar com a Venezuela e tivemos de buscar rotas alternativas com aliados amigos que temos no mundo. Impedem a Venezuela de utilizar o dólar como moeda de câmbio para a compra”, disse.

“Os bancos internacionais se negam a trabalhar com a Venezuela. O bloqueio e sanções contra a Venezuela nos custaram mais de US$30 bilhões desde agosto de 2017. Além disso, é uma economia em processo hiperinflacionário induzido por centros de poder nos Estados Unidos que impõe o tipo de câmbio”, denunciou.

O ministro das Relações Exteriores afirmou que se a Venezuela “tivesse estes US$35 bilhões que nos tiraram pelo bloqueio ” e sem o roubo da Citgo, a “Venezuela estaria em seu momento de maior prosperidade”.

Apesar das agressões, Arreaza ratificou mais uma vez a disposição do governo bolivariano de estabelecer um diálogo sincero com o governo dos Estados Unidos e a oposição, para evitar o golpe de Estado contra a democracia venezuelana e o intervencionismo.

Também destacou que o povo venezuelano hoje está defendendo seu direito à paz, seu direito a organizar o país sob o critério democrático da Constituição da República e não através da tutela de potências estrangeiras.


Ex-Pink Floyd acusa "insanidade" do governo norte-americano contra o povo venezuelano e denuncia interesse no petróleo. Trump diz que envio de militares à Venezuela "é uma opção".

O músico britânico Roger Waters divulgou neste domingo (3) uma mensagem contra o que chamou de tentativa de golpe dos Estados Unidos para derrubar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Pelo Twitter, o ex-Pink Floyd reforçou a convocação de um protesto marcado para ocorrer nesta segunda-feira (4) em Nova York contra a ingerência do governo norte-americano. 

Segundo Waters, trata-se de uma "insanidade" do governo norte-americano, que quer destruir a "real democracia" venezuelana para que a elite formada pelo 1% mais rico possa "pilhar" o petróleo daquele país. "Estados Unidos, tirem as mãos", tuitou o músico, acompanhado da hashtag #StopTrumpsCoupInVenezuela. 

Também no domingo, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o envio de militares à Venezuela "é uma opção". Em entrevista a rede de TV CBS, Trump disse que Maduro teria solicitado uma reunião, mas o pedido foi recusado pelo norte-americano, "porque estamos muito longe no processo". 

Há cerca de duas semanas, o presidente da Assembleia Nacional, Juán Guaidó, se declarou presidente interino da Venezuela, recebendo o apoio dos Estados Unidos, além de Brasil, Canadá e Argentina. Nesta segunda, Guaidó também foi reconhecido como interino por Espanha, Alemanha, Reino Unido, França, Suécia, Dinamarca, Áustria, Holanda e Portugal. Por outro lado, Maduro conta com o apoio de países como Uruguai, Rússia, China, Turquia e Irã. 

No domingo, Maduro rejeitou o ultimato dado por europeus para a realização de novas eleições presidenciais. "Por que a União Europeia tem que dizer a um país do mundo que já fez eleições que deve repetir suas eleições presidenciais, por que não foram vencidas pelos seus aliados de direita?", questionou o presidente venezuelano, em entrevista à TV espanhola La Sexta.  

Na segunda-feira passada (28), o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, acusou os Estados Unidos e parte da comunidade internacional de estar marchando por uma investida golpista.  "Estados Unidos não estão por trás das tentativas de golpe. Estão à frente", afirmou.


Foto: WikiCommons
As autoridades venezuelanas confiscaram no aeroporto internacional Arturo Michelena, em Valencia (estado de Carabobo), um lote de armas de guerra proveniente dos Estados Unidos.

O material bélico destinava-se, supostamente, a grupos terroristas ligados a planos golpistas no país sul-americano e foi confiscado durante uma operação levada a cabo por agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e funcionários do Serviço Nacional Integrado de Administração Aduaneira e Tributária (Seniat).

A informação, disponível no portal do Ministério venezuelano do Interior e da Justiça, foi divulgada à imprensa esta terça-feira pelo vice-ministro da Prevenção e Segurança Cidadã, Endes Palencia, segundo informa a VTV.

Palencia explicou que, durante o procedimento de fiscalização de mercadoria proveniente de Miami (EUA), as autoridades encontraram 19 espingardas, com acessórios, 118 carregadores, 90 antenas de rádio e seis telemóveis. Acrescentou que a mercadoria entrou no país no passado dia 3, tendo sido transportada pela companhia 21 Air Cargo, numa avião Air Bus.

«A GNB e os organismos de segurança do Estado estão a realizar as investigações pertinentes para dar com o paradeiro dos responsáveis por esta situação, que afecta a segurança e a tranquilidade dos cidadãos», disse ainda Palencia.

Recorde-se que, a 31 de Janeiro último, o ministro venezuelano do Interior, Néstor Reverol, anunciou a detenção de um grupo de indivíduos ligados à Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), que caracterizou como «terroristas» e «mercenários contratados pela oposição venezuelana», e que, tendo entrado na Venezuela a partir da Colômbia, estavam envolvidos num «plano conspirativo» que envolvia a realização de «assassinatos selectivos» e visava «promover o caos e o terror entre a população civil».

«Ajuda humanitária dos EUA é show político para intervir»

Numa entrevista que concedou à RT, o presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que a «ajuda humanitária», por parte da administração norte-americana, em resposta aos apelos feitos pela extrema-direita venezuelana, não é mais que «show político», para «justificar uma intervenção» no país caribenho.

«O imperialismo não ajuda ninguém no mundo. Diz-me a que lugar do mundo levaram [os norte-americanos] ajuda humanitária? O que levaram foi bombas para destruir o Afeganistão, o Iraque, a Síria, para provocar mortes. É um show, tão simples quanto isso», frisou.

Maduro vincou ainda a ideia de que o governo a que preside continua a trabalhar para evitar que Venezuela se transforme num país dependente, considerando que o seu país possui capacidade para produzir e importar aquilo de que necessita.

Neste sentido, destacou o papel desempenhado pelos Comités Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), que atendem a seis milhões de lares venezuelanos, garantindo-lhes o acesso a bens alimentares de primeira necessidade, tanto nacionais como importados. «Esse é que é um verdadeiro plano de ajuda humanitária», declarou.

Fonte: AbrilAbril

Foto: Agentes da GNB e funcionários do Serviço Aduaneiro e Tributário participaram na operação de apreensão de material bélico proveniente dos EUA no aeroporto internacional de Valencia Créditos / VTV

Num momento em que um novo golpe de Estado é promovido por Trump, com o apoio de Bolsonaro e de outros que se prestam servis, é indispensável a expressão da solidariedade com a República Bolivariana da Venezuela e o povo venezuelano.

Este golpe de Estado insere-se na escalada de desinformação, de desestabilização, de pressão, de chantagem, de bloqueio económico e financeiro promovidos pela Administração Trump, que está na raiz do agravamento dos problemas e dificuldades que enfrentam o povo venezuelano e que atingem igualmente a comunidade portuguesa na Venezuela.

Recorde-se que os EUA têm vindo a brandir a ameaça de uma intervenção contra a Venezuela – na senda do Iraque, da Líbia ou da Síria.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e outras organizações portuguesas, solidárias com o povo venezuelano e defendendo o seu legítimo direito a decidir soberanamente o seu caminho de desenvolvimento – um direito consagrado na Carta das Nações Unidas e no Direito Internacional – promovem uma sessão de Solidariedade com a Revolução Bolivariana, no próximo dia 30 de Janeiro (Quarta-feira), pelas 18h00, na Praça da Batalha, no Porto e no dia 31 de Janeiro (Quinta-feira), pelas 18h30, na Casa do Alentejo, em Lisboa.

Participa!

CPPC



Venezuela, outro projecto criminoso engendrado adivinhem por quem? Os Estados Unidos da América, a interferir uma vez mais nos assuntos internos de uma nação soberana.

Ninguém tem qualquer dúvida de que os EUA consideram a América Latina como sendo o seu pátio das traseiras, sentindo ser seu dever divino exportar a sua visão deturpada da democracia, impondo-a por intermédio de repressivas ditaduras fascistas, homicídio, sequestros e criminosos actos de subversão, terrorismo, sabotagem e perturbação. Tal sucedeu várias vezes em imensos países, sendo a Venezuela a vítima mais recente.

Leiam a comunicação social da treta, e encontrarão referências ao presidente democraticamente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, a quem se referem meramente como “Maduro”, com epítetos que lhe apegam como “ditador”, “déspota”, “autocrata”, não tendo ainda ninguém recordado que ele vive numas “instalações”, seja isso o que for.

O que não encontrarão será qualquer referência ao tremendo contributo social levado a cabo pelo venezuelano PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), primeiro sob Hugo Chávez e agora sob Nicolás Maduro. Para nomear só algumas das suas vitórias, a pobreza extrema decresceu em dois terços, o PIB per capita aumentou de 4,105 dólares em 1999 para 12,500 dólares em 2017, o índice de literacia aumentou de 91% para 97%... apesar de uns últimos anos difíceis, causados pelos preços do petróleo e pela subversão organizada no estrangeiro e implementada pela oposição daquele país. Esta tem por base a classe média alta da Venezuela e os elitistas a quem não lhes agrada os “chavistas”, os apoiantes da revolução social em Caracas, que providenciam serviços de bem-estar público, anteriormente quase inexistentes, financiados pelos dividendos do petróleo. Estes, e os seus manipuladores, acreditam ter direito à tremenda riqueza do país (a Venezuela tem comprovadamente as maiores reservas de petróleo do mundo).

Preferem privatizar hospitais onde o povo tenha que pagar em vez de uma saúde gratuita, preferem manter o povo na ignorância de modo a não poderem interpretar por si mesmos, preferem uma alta taxa de mortalidade infantil por serem essencialmente um bando de oportunistas egoístas desavergonhados que, no seu todo, não contêm um ínfimo de humanidade, decência ou moral. Resumindo, um bando de traidores.

Agora a verdade.

O que não encontrarão é qualquer referência a qualquer uma das 150 reuniões ocorridas entre a oposição e o PSUV entre Maio de 2016 e Janeiro de 2018 na República Dominicana, que culminaram com um acordo quanto a eleições presidenciais antecipadas, só para que Rex Tillerson, ex-secretário de Estado dos EUA, supostamente tenha telefonado a Júlio Borges (ex-presidente da Assembleia Nacional) da Colômbia, indicando à oposição que não assinasse o acordo.

A ética de Washington: cara ganho eu, coroa perdes tu

Porquê? Porque os EUA sabiam que a oposição iria perder, e assim a ala direita da oposição não participou nas eleições presidenciais da Venezuela em Maio último (as outras facções concorreram), quando Maduro ganhou. Os EUA tinham outros planos, uma vez que Washington segue uma ética de “cara ganho eu, coroa perdes tu” nas relações internacionais, principalmente no que toca a países com massivas reservas de petróleo. Washington pretende utilizar traidores internos que canalizem a riqueza para o exterior, e não a utilizem para melhorar os serviços públicos para o povo.

E isto, senhoras e senhores, resume a Venezuela.

A Liga dos Ruidosos Chihuahuas 

É interessante que tenhamos meramente que ver quais os países que saltaram à ordem de Washington para reconhecer este novo impostor que se auto-proclamou como presidente da Venezuela, afirmando ter o direito a tal devido à ausência de Maduro (que na realidade se encontra na residência presidencial onde leva a cabo os seus deveres como presidente), para verificar a lista dos favoritos e ruidosos chihuahuas de Washington. No topo da lista está como sempre o parceiro de cama, Reino Unido, sempre disposto a receber uma festa na cabeça à menção da sua “relação privilegiada”, juntamente com 12 nações assimiladas da América Latina, incluindo o Brasil do fascista Bolsonaro, que afirmou que preferia que um filho seu morresse num acidente de viação do que fosse gay.

O argumento utilizado por Washington e os seus ruidosos chihuahuas é o do costume, tão ridículo como teimoso e insípido. Queixam-se com a falta de democracia na Venezuela. Como é que educar o povo e aumentar a literacia é ser anti-democrático? Como é que chegar a acordo com a oposição é anti-democrático? Não é democrático é chegar a acordo e depois quebrá-lo quando os nossos companheiros de cama nos pedem, e com toda a certeza que também não é democrático reconhecer qualquer Manuel ou José que de súbito queira auto-proclamar-se rei de Saturno ou presidente da Venezuela, interferindo no processo interno de uma nação soberana, o que constitui um acto de intrusão criminosa e ilegal ao abrigo da Carta da ONU.

Então, é mentira afirmar que a oposição não participou nas eleições de 20 de Maio. Também é mentira falar de fraude eleitoral pois aqueles que conhecem o sistema eleitoral na Venezuela estão cientes de que se utilizam parâmetros biométricos nos actos de voto, impossibilitando uma fraude eleitoral. Duas mentiras.

Qualquer um se pode declarar presidente

A questão é que a oposição sabia perfeitamente que iria perder as eleições e por isso muitos recusaram participar, para depois se queixarem de fraude, declararem-se os legítimos vencedores e, olhai e contemplai, dois dias depois do vice-presidente dos EUA, Pence, afirmar que a oposição devia avançar com os seus planos, que os EUA os apoiariam, Guaidó auto-proclamou-se presidente, Trump reconheceu-o e os ruidosos chihuahuas vieram a correr obedientemente. 

Tal é tornar o direito internacional em anedota. Quem é responsável pela eleição dos seus representantes são os venezuelanos, não Washington. Os Estados Unidos da América provam actualmente serem governados por um regime criminoso que emprega políticas criminosas. São um Estado pária, um insulto ao direito internacional, e têm a palavra “vergonhoso” registada em todas as páginas que a eles se referem nos anais da História. Os livros de História serão extremamente cruéis para com Washington quando relatar os seus hediondos e horrendos actos desde 1945. Os seus obedientes, assimilados e ruidosos chihuahuas não ficarão melhor vistos.

Timothy Bancroft-Hinchey

Pravda.ru

Propósito

– Apoiar a Revolução Bolivariana, a qual tem provado incessantemente a sua natureza democrática, na luta para libertar os oprimidos da Venezuela.

– Defender a Revolução contra os ataques do imperialismo e dos seus agentes locais, a oligarquia venezuelana.

– Rebater as distorções e as mentiras da comunicação social acerca da Venezuela e mobilizar o máximo de apoio possível na defesa destes pontos.

Evento:

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